Pois não é que a “marolinha” — que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou em 2008, dizendo que o Brasil passara incólume pela crise mundial, naquele mesmo ano — virou um “tsunami” não apenas para a equipe econômica do governo Dilma Rousseff (PT), mas também para todos nós. A onda pode devastar ainda mais a economia brasileira, impactando negativamente todos os seus setores, principalmente o setor produtivo, que apresenta estoques altos, sendo obrigado a reduzir os postos de trabalho. Por causa disso, já se fala até em redução de jornada e, consequentemente, dos salários (com a anuência dos sindicatos), sendo que o governo, que apenas corta verbas para investimentos e inclusão social, teria que arcar com parte do prejuízo.
A crise de 2008 levou vários países a adotar medidas recessivas que, hoje, se mostraram acertadas. Os EUA e países da Zona do Euro conseguiram dar a volta por cima e começam a recuperar empregos e produção. Já o Brasil, que baseou sua política em desonerações e incentivo ao consumo, vê-se agora encalacrado. Levada ao extremo, a medida acabou perdendo a eficácia e hoje tudo o que não foi feito na época é necessário, mas multiplicado várias vezes por causa dos números negativos que surgem a cada dia. Mesmo assim, o ajuste fiscal dificilmente poderá ser capaz de reverter a situação em curto ou médio prazos. O Brasil beira uma recessão, com a piora dos indicadores que balizam a nossa economia.
A queda do nível de emprego vem no rastro da paralisação da produção em setores importantes, como de veículos e autopeças. Nem o setor de serviços, que vinha “segurando” a queda apontada pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), não resistiu em maio. Somente o setor agropecuário apontou aumento nos postos de trabalho, o que é muito pouco para o nosso país. A inflação continua crescendo, o comércio exterior só apresentou superávit por causa da exportação de uma plataforma de petróleo que foi alugada à Petrobrás sem nunca ter saído do Brasil, milhares de trabalhadores estão parados por causa de férias coletivas ou “lay off” (suspensão temporária do contrato de trabalho) e há indicações de que a atividade econômica medida pelo PIB (Produto Interno Bruto) fechará o ano em recessão, com resultado negativo.
Este é o panorama do Brasil de hoje. Não há saídas visíveis para uma situação que, pelo menos nos dois últimos anos, vinha sendo contornada por meio de manobras fiscais conhecidas por “pedaladas” -- contestadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que já pediu explicações ao governo Dilma. Enquanto nós, brasileiros, apertamos o cinto e pagamos a conta do descontrole da equipe econômica, não se vê por parte dos nossos entes públicos qualquer indício de que realmente têm interesse em resolver a questão: o inchaço da máquina administrativa perdura e benefícios que não são extensivos aos trabalhadores permanecem. Numa situação como esta, deve-se também cortar na própria carne. Como isso não ocorre, o pessimismo continua dominante, já que não se acredita que iremos dar a volta por cima.
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