As obras de revitalização do Engenho Queimado, na região da Vila São Sebastião, estão abandonadas. O local onde antes existia o canteiro de obras se transformou em um terreno baldio com entulhos espalhados pelos cantos. Não há máquinas nem funcionários. Os únicos vestígios de que ali já foi o coração daquela que seria uma das maiores obras de urbanização da cidade são alguns materiais, como manilhas de concreto e pedregulhos deixados para trás.
Anunciado pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), em setembro de 2013, o projeto de revitalização previa a canalização de cerca de dois quilômetros de extensão do córrego do Engenho Queimado, o plantio de árvores ao longo do curso d’água e obras de drenagem e captação de águas pluviais. Também contemplava a construção de 86 casas para famílias carentes e a instalação de um centro de lazer com campo de futebol, pista de caminhada e parques com brinquedos para as crianças.
As obras estavam orçadas em R$ 18,5 milhões, dinheiro que viria do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal. Segundo o Portal Transparência do Tesouro Nacional, já foram repassados para a Prefeitura cerca de R$ 2 milhões. A previsão era de que a revitalização completa fosse entregue à população em outubro de 2015. Mas, a quatro meses do vencimento deste prazo, nada foi concluído.
Passado quase um ano e meio do pomposo anúncio, pouco mais de 500 metros de contenção das margens do córrego foram feitos. Não há complexo de lazer, não há arborização nem qualquer sinal de que os 86 imóveis serão erguidos ali.
Para os moradores, o abandono revolta. “Na hora de anunciar a obra, fizeram um megaevento, convidaram um monte de gente e prometeram que iam mudar nossa vida. Mas até agora nada. No começo de abril, eles vieram aqui e tiraram o que tinha restado. Não voltaram mais”, disse um dos moradores do entorno da obra, que reside na Vila São Sebastião há 10 anos.
O sapateiro Carlos Augusto Machado, de 50 anos, que há 30 mora na região, também não se conforma. “O pouco que fizeram está indo embora a cada chuva forte. É muito desrespeito com o nosso dinheiro. Eu já reclamei até nas redes sociais, mas ninguém me deu atenção.”
Na audiência de prestação de contas dos primeiros quatro meses do ano, a secretária municipal de Finanças, Neide Lopes, confirmou a paralisação das obras e atribuiu o problema aos “atrasos constantes” de repasses por parte do Governo Federal. “Eles deveriam ter nos passado cerca de R$ 14 milhões, mas até o momento, não chegaram nem perto disso. Sem recursos, não temos como tocar a obra.” A secretária não soube dizer quais seriam as razões do que ela classificou como “atrasos nos repasses”.
A assessoria da Prefeitura negou que os serviços estejam paralisados. “Conforme esclarecimentos da direção da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), responsável pelas obras, os serviços não estão paralisados. Atualmente, está em fase final uma área de convivência, com pistas de caminhada e jardins, serviços de arborização, nas imediações do Centro de Convivência do Idoso.”
O Ministério das Cidades, responsável por administrar as verbas do PAC, negou qualquer tipo de atraso na liberação das verbas. Em nota, informou que os repasses são feitos conforme as medições apontadas pela Caixa Econômica Federal que comprovam o andamento da obra. Segundo ainda a nota, neste ano, foram feitas quatro medições e repassados R$ 401.966,34.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.