O velho e o novo


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O Exótico Hotel Marigold toca num tema tabu para a sociedade ocidental que é o envelhecimento
O Exótico Hotel Marigold toca num tema tabu para a sociedade ocidental que é o envelhecimento
No próximo dia 20, o Cinema e Psicanálise de Franca apresentará o filme O Exótico Hotel Marigold . Sua história é sensível, divertida e capaz de nos emocionar. Toca num tema tabu para nossa sociedade atual que é o envelhecimento e suas repercussões. Mas a jovialidade e o humor com que o roteirista e diretor do filme arquitetou a história, revelam o impacto e a alegria que surgem quando é possível o reencontro do velho e do moço, de forma criativa e complementar. 
 
Nos deleitamos com o esplêndido time de atores que interpretam os personagens dos sete idosos britânicos que viajam para a Índia, em busca do lugar paradisíaco que escolheram pela Internet, para gozar paz e harmonia, descanso e recompensa. Mas, o que encontram na realidade é a vida pulsante, intensa e, muitas vezes, caótica de um país que contêm o antigo e o moderno em constante interação.
 
Vemos que mais do que a corajosa aventura como estrangeiros que os “belos e idosos” fazem pela Índia, a verdadeira viagem vai sendo a da descoberta de fatos emocionais essenciais de suas histórias internas, que ficaram perdidos ou congelados, ao longo da vida.
 
O filme aborda, com leveza e sensibilidade, a capacidade humana para o encontro com a diversidade que há no contato humano e seus costumes, modos de viver e de pensar. A reação de cada um perante o que é novo poderá ser a de paralisar, negar ou resgatar e reconstruir o mundo interno. 
 
Penso que nesta ousada aventura, há uma busca inconsciente do que há de mais precioso e verdadeiro em cada um, neste momento da vida.
 
E neste país cheio de paradoxos, contrastes e contradições, torna-se decisiva a capacidade para apreciar a beleza e sentir os prazeres e as dores de uma experiência emocional.
 
Precisamos da arte e do senso de humor para nos aproximar de fatos dolorosos e universais como as representações da passagem do tempo, do envelhecer e da morte. E a articulação da psicanálise com o cinema, bem como com outras formas de arte, tem sido extremamente rica, ao introduzir uma nova forma de apreender o ser humano.
 
Sendo assim, o encontro da mente, que não tem idade, com o corpo que sofre as marcas do tempo e envelhece, causa impacto e desencontro e exige um tremendo trabalho psíquico, que foi chamado de envelhescência. 
 
Neste sentido, envelhecer não representa só um momento de perdas, mas pode ser um tempo de maior liberdade para usar potenciais criativos adormecidos, realizar projetos sonhados e, sobretudo, sermos nós mesmos. 
 
O tratamento psicanalítico é um encontro peculiar de inconscientes qualquer que seja a idade do paciente e do analista e nele estão em jogo os desejos e os sonhos, que nunca envelhecem.
 
Este filme nos dá oportunidade de nos aproximar, sem preconceito e com verdadeira apreciação, do encontro-desencontro das diversas idades que nos constituem, em qualquer fase da vida, sem excluir as peculiaridades de cada uma delas.
 
 
ONDE ASSISTIR
 
Cinema e Psicanálise
Quando: Sábado, 20 de junho de 2015  
Onde: Centro médico de Franca, às 15 horas

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