Quando se pensava que a Câmara de Vereadores de Franca já tinha conseguido se superar em termos de ineficiência e rancor, novamente a cidade se vê surpreendida com mais uma atitude revanchista, torpe e inconsequente da maioria de seus integrantes, que extrapolam de suas funções ao assumir uma atitude corporativista, submetendo-se aos caprichos daquele que corre celeremente para se tornar o pior prefeito da história de Franca. Para quem não sabe, o vereador é eleito para fiscalizar o Poder Executivo Municipal, apresentar projetos de lei, dialogar com a comunidade e defender os interesses da população no plenário. Como se pode perceber, não é o que os nossos legisladores vêm fazendo na posse de seus mandatos.
Depois do fiasco da investigação contra Márcio do Flórida (PT) por causa de sua oposição ao prefeito, agora nove edis aprovaram a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar atos da vereadora Valéria Marson (PSDB), outra das vozes dissonantes que não concorda em dizer amém para tudo o que Alexandre Ferreira (PSDB)determina. Acontece que o pedido surge num momento em que o revanchismo domina o nosso Legislativo, o que pode ser comprovado pela gravação feita em plenário (o microfone estava ligado), quando o ex-presidente da Câmara, Jepy Pereira (PSDB), mentor da ação contra Valéria, disse que iria “f*** Márcio do Flórida”.
A situação atual já tinha sido desenhada há mais de um mês, logo quando foi aprovada a CEI contra o petista. O problema é que o prefeito Alexandre Ferreira e seus asseclas na Câmara não aceitam um dos princípios primordiais da Democracia: o direito à crítica, à discordância, à oposição. Então se institucionalizou a perseguição e o revanchismo, deformando completamente o ditado que garante favores aos amigos e a lei aos inimigos. Aqui, aos inimigos assestam-se todas as baterias, mesmo que sejam ilegais ou imorais. Juridicamente, qualquer resultado de uma investigação como a prometida pela Câmara poderá ser contestado, já que um ente público como a vereadora não pode ser punido, mesmo que seja com advertência, por algo concluído antes do mandato, e ainda que as irregularidades apontadas sejam comprovadas.
Falta estofo moral a uma Câmara que ignorou a ação ilegal de um de seus integrantes (Laercinho, do PP, ofereceu dinheiro, vaca e até eucaliptos da Prefeitura a um munícipe), apenas suspendeu outro legislador que agrediu um cidadão dentro do plenário (Luiz Vergara, do PSB), nada fez a respeito do acordo fechado entre o prefeito Alexandre Ferreira e a Empresa São José, causando prejuízos ao erário e aos usuários, além de ignorar as mortes na Saúde, a indústria de horas extras dos médicos e as fraudes na construção de três creches. Estes três últimos casos, inclusive, são objeto de investigações do Ministério Público. O legislativo francano chegou ao fundo do poço, com a maioria de seus integrantes atolados na lama da injustiça. A população francana, por certo, saberá dar uma resposta exemplar àqueles que fazem ouvidos moucos às suas reivindicações. Com certeza, cada um deles terá o julgamento que merece. Nas urnas.
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