Reindustrialização


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Não há dúvidas. A economia brasileira, como já havíamos mencionado neste espaço, está enfrentando assustadora estagnação, com tudo que há de ruim num clima como este. A inflação atingiu nos últimos doze meses a marca de 8,7%, a maior desde 2003. O desemprego, segundo a PNAD, alcançou, no trimestre fevereiro a abril, surpreendentes 8%.
 
A preocupação maior, no entanto, é com o fim do sonho da industrialização brasileira. O setor de transformação ‘desaparece’ devagar. Há exceções, mas a maioria dos segmentos diminui o ritmo a cada mês, coloca na rua contingentes expressivos de trabalhadores ou os submete ao regime de suspensão temporária do contrato de trabalho (lay off). O panorama é desolador e as famílias brasileiras pagam o preço disso. 
 
Estamos no fim de um ciclo, de um projeto de desenvolvimento desenhado nos anos 50, o da industrialização baseada na substituição de importações. O mundo mudou, globalizou-se e não estabelecemos nova estratégia de médio e longo prazos, não nos preparamos para novo ciclo de desenvolvimento.
 
A China de Deng Xiaoping mudou o mundo ao optar por reformas econômicas e adotar, no seu contexto, as zonas de processamento de exportações (o Brasil as descartou!). Com os benefícios dessa escolha tornou-se a supridora mundial de industrializados, amealhando poupança considerável que hoje serve para atender as necessidades de sua população e distribuir recursos por todo o planeta na forma de financiamentos ou de construção de obras de infra-estrutura na África, na América Latina, no mundo. Do Brasil, a China quer, em troca, commodities: alimentos, minério e petróleo.
 
Precisamos de proposta de reindustrialização baseada em novo projeto de desenvolvimento. Selecionar setores industriais competitivos e juntar potencialidades do mercado interno pela conquista de mais  espaço na economia mundial seria uma das possibilidades.
 
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA-USP

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