Ética e cidadania


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A ética hiberna no Brasil. Sua ausência é claramente percebida no trato da coisa pública. Assiste-se espetáculo da deturpação, por agentes públicos, dos fins específicos de seus afazeres para participarem da dilapidação do patrimônio público. A coisa pública cedeu espaço a prosperidades particulares, obtidas à custa de tráfico de influência e sob a sombra da impunidade. 
 
Os grandes exemplos devem partir dos municípios, de prefeitos e vereadores, esses que, próximos ao cidadão, devem ter a ética como referência. O municipalismo é a base do futuro da política nacional. Na administração pública municipal é que se inicia a carreira política, aprendesse o conceito do belo e do feio, do bem e do mal, do certo e errado, do justo e do injusto, da ética e da antiética. Aristóteles, que tanto falou sobre padrões de moralidade, não suportaria viver nos dias atuais.
 
O desembargador José Renato Nalini, corregedor do Tribunal de Justiça do Estado, em evento da União de Vereadores do Estado de São Paulo, alertou os homens públicos, ‘É possível ser prático e criterioso ao mesmo tempo. O mistério reside no ponto de equilíbrio. É preciso uma ética que não se creia apolítica e uma política que não precise, para ser realista, abandonar a ética’. 
 
Espera-se que a sociedade compreenda o verdadeiro papel do gestor público, do prefeito e do vereador. Que separe o bom do mal, o atento do desatento, o que quer aprender com ensinamentos do Tribunal de Contas e o do só quer levar vantagem, o que respeita a coisa pública e o que confunde o público com o privado. Precatórias para cumprir, decisões judiciais determinando pagamento de medicamentos de alto custo, ações de improbidade administrativa, ações diretas de inconstitucionalidade por leis desconexas, tudo fica mais difícil, mas a culpa não é só do eleito pelo povo. 
 
Sebastião Misiara
Presidente da União dos Vereadores do Estado

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