Um roteiro já conhecido


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Em um primeiro semestre cheio de más notícias, como o desemprego crescente, a inflação que assusta, o reajuste no preço dos combustíveis, a conta de luz mais alta e o preço dos alimentos muito mais salgado, o francano que se prepare para mais uma: o preço da passagem dos ônibus da Empresa São José deverão subir até o final do mês. Como sempre, a Prefeitura Municipal e a concessionária do transporte coletivo no município armam um tradicional teatrinho para tentar mostrar que a população que usa os ônibus da empresa está sendo considerada: a empresa joga o valor lá em cima, o sindicato dos trabalhadores ameaça com greve e o prefeito decreta um valor abaixo disso. Um enredo já conhecido e que hoje não engana mais.
 
Desta vez, a São José pediu uma tarifa de absurdos R$ 5,62 contra os R$ 3,10 que foram determinados por Alexandre Ferreira (PSDB), de forma vergonhosa, um ano atrás. Na época — dia 4 de julho, uma sexta-feira, quando o Brasil jogava pela Copa do Mundo, em final de expediente —, a Prefeitura enviou nota à imprensa informando que a passagem passaria de R$ 2,80 para R$ 3,10. Uma manobra clara de desviar a atenção dos francanos, mas não deixou de causar indignação aos mais de 70 mil usuários do transporte coletivo para as suas atividades cotidianas. Assim como agora, fez-se o teatrinho: uma semana antes, a Prefeitura distribuíra 20 mil panfletos aos usuários dizendo que o valor da tarifa deveria ser de R$ 3,72 (indicado como ideal pelo estudo pago pelo município e realizado pela Fipe).
 
Ao mesmo tempo em que o País aperta os cintos, diante de uma recessão inevitável e a deterioração dos índices econômicos, a Empresa São José diz que não tem condições de manter o serviço se a passagem não chegar aos valores desejados, mas já se sabe que o prefeito irá colocar a passagem entre R$ 3,20 e R$ 3,50. A São José reclama da série de gratuidades concedidas pela Câmara de Vereadores ao longo dos anos e garante que apenas 59% dos passageiros que usam os ônibus da empresa pagam a passagem. Os outros 41% fariam o trajeto de graça. Se esta é a questão, que a concessionária busque uma saída política e não faça os francanos pagarem pela demagogia de nossos legisladores. Como é bastante próxima da administração municipal atual, que procure com Alexandre Ferreira um subsídio para que possa manter o serviço em valores compatíveis com a realidade econômica de Franca.
 
Aliás, não poderia nem haver uma discussão (e esta encenação) a respeito caso o serviço de transporte coletivo urbano fosse minimamente satisfatório. Mas não é: faltam o aumento da frota, construção de abrigos em todos os pontos de ônibus e implantação de veículos biarticulados, exigências do contrato de concessão que foram solenemente ignorados em um acordo firmado a portas fechadas pelo prefeito e a empresa, livrando esta de multas e obrigações contratuais. Enquanto Alexandre Ferreira não vier a público para explicar o que o motivou a assinar o acordo com a São José, em detrimento dos usuários, qualquer reajuste da tarifa vai suscitar desconfianças. Nada mais natural.
 
 
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