Na madrugada do último sábado (13) o Programa do Jô exibiu uma entrevista com a presidente Dilma Rousseff, direto de Brasília (VEJA AQUI). Gravada na biblioteca do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, Dilma classificou como momentâneos os problemas e dificuldades do cenário atual do país, falou sobre críticas e Michel Temer.
O ajuste fiscal foi apontado por ela como necessário para equilibrar as contas públicas e retomar rapidamente o crescimento econômico, mas segundo Dilma, isso não quer dizer que o país esteja “estruturalmente doente”. Na entrevista a presidente comenta que foram enviadas ao Congresso medidas provisórias e projetos de lei para reduzir gastos públicos no começo do ano, e no mês passado foi anunciado corte de quase R$ 70 bilhões no orçamento da União. “Mesmo fazendo o ajuste, como o Brasil não passa por uma situação em que ele é estruturalmente doente – pelo contrário –, ele está momentaneamente com problemas e dificuldades. Por isso, é importante fazer logo o ajuste para a gente sair mais rápido da situação. Acontece que nós temos de simultaneamente ao ajuste fazer investimentos em infraestrutura e manter programas sociais para não voltar para trás,” disse Dilma.
Ela também se disse preocupada com a inflação e afirmou que o governo fará o “possível e o impossível” para que o índice fique estável e dentro da meta. “Fico preocupada porque acho que vamos ter de fazer um imenso esforço. Nós iremos fazer o possível e o impossível para o Brasil voltar a ter inflação bem estável, dentro da meta. Este processo que estamos vivendo tem um tempo, ele não vai durar.”
Questionada por Jô se seria uma pessoa de 'pavio curto', Dilma disse ser qualificada como exigente. “Eu quero dizer que eu tenho uma imensa capacidade de resistir. Aprendi isso ao longo da minha vida. Me prenderam e eu aprendi. Me botaram na cadeia e eu aprendi a resistir, a ter tranquilidade para você aguentar, sabendo que uma hora passa. Agora, eu acho que sou uma mulher dura no meio de homens meigos. Os homens são meigos e as mulheres, duras. Eu sou dura porque não posso ser uma presidente mole.”
Sobre críticas, Dilma disse ficar triste, mas ter aprendido a lidar com elas. “É todo dia. Tem horas que exageram um pouco. Pegam pesado. Mas é da atividade pública,” disse. “Eu tenho de aceitar que as pessoas não gostem do que eu faço. Tenho de aceitar. Eu não levo no pessoal. Agora, se você quer saber se eu fico triste? Fico, sim. Em algumas horas, eu fico bastante triste. Porque é aquele negócio: ninguém é de ferro,” completou. Ainda sobre críticas, mas as que tem por alvo o número de ministérios, que atualmente são 39, ela admitiu que a quantidade pode diminuir, e as mais recentes criações – Secretaria de Política para Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos – foram “essenciais”. “Vou dizer: criticam muito porque temos muitos ministérios. Eu acho que teremos de ter menos ministérios no futuro.”
Durante a entrevista de mais de uma hora, ela ainda elogiou seu vice, Michel Temer, que atua na articulação política do governo e é o responsável pela Secretaria de Relações Institucionais. A presidente o avaliou como “um grande parlamentar e tem muita experiência,” além de “extremamente hábil é ótimo articulador político.”
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