O que aparentava ser um rotineiro caso de renovação de documento pode ter levado a Polícia Civil a descobrir uma quadrilha especializada em falsificar e vender CNH (Carteira Nacional de Habilitação) em Franca e cidades da região. Um suspeito identificado pelos investigadores é acusado de ter vendido pelo menos cinco habilitações piratas. O preço cobrado para o interessado se tornar um motorista “habilitado” oscila de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil.
No dia 27 de março, a dona de casa ESS, 36, foi ao Poupatempo na área central de Franca renovar sua CNH. A atendente não encontrou o número do documento no banco de dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e fez uma pesquisa mais detalhada para apurar a origem do erro. Foi quando descobriu que a habilitação era resultado de produção caseira.
A polícia foi chamada no Poupatempo e conduziu a mulher para a sede da DIG. Em depoimento, ela disse que tinha vontade de dirigir o carro do marido, mas que não podia fazer os exames necessários por ser analfabeta.
Disse ainda que ao descobrir que um morador de Ribeirão Corrente “conseguia” a CNH, ela não pensou duas vezes e comprou a habilitação por R$ 2 mil. Recebeu a garantia de que o documento era “quente” e que poderia renová-lo. Segundo a polícia, a CNH, na verdade, havia sido feita em uma impressora. A mulher e o marido confessaram que compraram a carteira de um morador de Ribeirão Corrente.
Com base nas informações passadas por ela, os policiais chegaram ao vendedor HBM, 44. Conseguiram uma autorização judicial para fazer buscas na casa dele. “Ele não estava mais no local, mas encontramos 12 documentos com dados e fotos de pessoas diferentes, entre elas, da senhora que tentou renovar a CNH falsa no Poupatempo”, disse o delegado Alan Bazalha Lopes.
Negou
Num primeiro contato dos policiais, ele havia negado participação no crime e deu uma explicação inusitada para a presença de tantos documentos em sua casa. “Ele nos disse que pegava os documentos para ajudar as pessoas encontrarem emprego”, disse o delegado.
Após apreender os documentos, os investigadores foram até as pessoas que constavam da relação e apreenderam 4 CNHs falsas. Outras duas já haviam sido vendidas, mas não entregues a tempo. O vendedor suspeito de desovar as CNHs falsas teria se mudado para Minas Gerais.
A Polícia não tem dúvidas de que o suspeito faça parte de uma quadrilha especializada em falsificar documentos e, após a conclusão do inquérito, deverá pedir sua prisão à Justiça. “Ele é um elo e vamos apurar qual é sua participação. Com certeza, há outros envolvidos e nossas equipes trabalham para identificá-los”, disse Alan Bazalha.
A ocorrência da CNH que seria renovada no Poupatempo não foi um caso isolado. Apreensões são rotineiras em Franca. Em maio, no intervalo de uma semana, duas pessoas foram presas em flagrante usando habilitações falsas.
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