“A vida inteira que podia ter sido e que não foi”, escreveu o poeta Manuel Bandeira em Pneumotórax, sobre mortes prematuras decorrentes de doença. Esse é o sentimento de tristeza que envolve histórias de jovens que morreram após passarem por um calvário na rede pública de saúde de Franca.
Na madrugada de 8 de janeiro do ano passado, Luara Prieto Ribeiro, 25, morreu após passar oito vezes pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e ser duas vezes internadas na Santa Casa, onde fez duas cirurgias. No noite do dia 9 de junho deste ano, um caso semelhante acontece. A estudante Eduarda Stefani Segismundo, 14, morreu após passar três vezes pelo pronto-socorro e ser internada na Santa Casa.
Situações que começaram com sintomas como dores pelo corpo, diagnósticos de infecção de urina e terminaram em mortes prematuras.
No caso mais recente, de Eduarda Segismundo, a família considerou o atendimento falho. O pai Adriano Segismundo registrou um boletim de ocorrência denunciando negligência médica. “O grande problema era de infecção de urina, mas os médicos não tiveram a capacidade de ver que era grave e tratar”, disse o pai.
A Santa Casa e a Secretaria Municipal de Saúde afirmaram que todos os procedimentos necessários foram realizados e que Eduarda não foi internada antes porque estava sendo monitorada e realizando exames.
Para o pai de Luara, Silson Ribeiro, 49, o caso de Eduarda é igual ao de sua filha. “Vejo que nada mudou, continua um descaso com o ser humano. Eu queria justiça e melhora na Saúde de Franca, pois até hoje sofro muito com saudade da minha filha”, afirmou Silson, que também registrou um boletim de ocorrência à época.
Nessa ocasião, um laudo da Secretaria Municipal de Saúde dizia que havia indícios de infecção em Luara, mas o IML (Instituto Médico Legal) apontou como hemorragia interna a causa da morte. Em abril deste ano, o caso foi encerrado pela polícia sem que ninguém fosse indiciado por erro médico.
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