A Justiça decidiu que o servente de pedreiro Aparecido Borges Teixeira, 52, que atropelou e matou a menina Drielly Vitória Fortunato Motarelli, de 6 anos, no dia 1º de dezembro de 2013, irá a júri popular. O juiz José Rodrigues Arimatéa considerou o acidente como crime de homicídio doloso, quando o acusado assume o risco de matar, já que o motorista havia ingerido bebida alcoólica antes de pegar a direção.
Para a decisão, foram ouvidas testemunhas e também o próprio acusado, que chegou a assumir em juízo ter ingerido bebida alcoólica antes do acidente.
De acordo com a sentença, uma das testemunhas relatou que estava em frente a um bar, próximo ao local do acidente, no Jardim Luiza, quando o acusado parou seu veículo e desceu, literalmente trançando as pernas, pois estaria muito bêbado. Ele teria entrado no bar e, após comprar mais bebidas alcoólicas, saiu fazendo ziguezague com o veículo. Ele ainda teria dado seta para a direita, mas efetuado conversão para a esquerda, atingindo a menina.
Fotografias realizadas no local ainda demonstrariam que a criança foi atropelada na calçada da contramão de direção, próximo a uma escola, fato que só seria justificado pela embriaguez do condutor. Em seu depoimento, o acusado assumiu ter ingerido parcialmente o conteúdo de uma garrafa de cerveja, mas disse que não estava bêbado. Segundo ele, a criança atravessava a rua, quando subitamente teria decidido retornar, sendo atingida pelo veículo. Ele disse ter fugido por medo de represálias por parte de populares.
A pena prevista para o crime pelo qual o servente é réu é a reclusão de seis a 20 anos.
O atropelamento
No dia 1º de dezembro de 2013, a criança de 6 anos foi atropelada enquanto brincava na porta da casa de uma tia, na rua Maria de Fátima Mercuri, no Jardim Luiza II.
O motorista, que dirigia um Ford Fiesta, invadiu a contramão e chegou a arrastar a vítima por aproximadamente 20 metros, fugindo em seguida sem prestar socorro.
A menina foi socorrida e encaminhada para a Santa Casa de Franca, mas depois de passar por algumas cirurgias e ficar no CTI (Centro de Terapia Intensiva) Infantil, não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.
O suspeito de atropelar a criança foi identificado dias depois. Ele confessou o envolvimento no acidente e a ingestão de bebida alcoólica, mas foi liberado para responder o processo em liberdade.
Na época, inconformados com a liberdade do motorista, mesmo após a confissão do seu envolvimento no caso, familiares e amigos da menina realizaram uma passeata cobrando justiça e mais rigor no julgamento de casos semelhantes.
Na época do acidente, a mãe da vítima Lucimar Aparecida Motarelli declarou, em entrevista ao Comércio da Franca, que não descansaria até ver o acusado atrás das grades. “O que ele fez foi desumano. Ele poderia estar tonto, mas tinha que ter socorrido. Sinto muita revolta mesmo, mas não quero fazer nada para prejudicar a vida dele. Só quero que ele vá preso. Enquanto estiver viva, vou lutar para que ele fique atrás das grades”, disse.
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