Acostumada a lidar diariamente com o público em situação de rua, a assistente social do Abrigo Provisório de Franca, Cláudia de Castro Gomes, diz que o vício em álcool e drogas, com ênfase para o crack, é o principal responsável por levar homens e mulheres a viver nas ruas. “A maioria tem histórias semelhantes e foi para a rua devido a dependência. O vício desencadeia conflitos familiares e depois de muito sofrimento, o usuário decide por conta própria ir para a rua”, disse.
Segundo ela, há relatos de jovens que preferiram a rua a ver o sofrimento da família. “Eles reconhecem que são usuários de álcool e drogas e não querem acolhimento. O vício fala mais alto e muitos não têm força para sair”.
A assistente social diz ainda que apesar do Abrigo oferecer pouso, banho e refeições, além de ajuda para tratamento terapêutico, oficinas artesanais e auxílio na retirada de documentos, muitos preferem ficar na rua por não precisarem obedecer regras.
Ela lembra também que das cem vagas ofertadas atualmente nesse período do ano, devido ao frio, 80% são ocupadas por homens. “As mulheres nessa situação são minoria, muitas vezes sobram vagas para elas e faltam para eles”.
Via assessoria de imprensa, a secretária de Ação Social de Franca, Gislaine Peres, disse existir na cidade cerca de 300 pessoas em situação de rua e embora ofereça serviços para esse público, nem sempre há retorno.“Dada as condições de pobreza, problemas de saúde e particularmente os quadros de dependência química algumas não aceitam a intervenção, demandando um longo processo de aproximação, acolhida, confiança na equipe de abordagem para posterior adesão às ações”.
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