O pai de Eduarda Stefani Segismundo, 14, que morreu após passar três vezes pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, Adriano Segismundo, 38, está em busca de justiça. A jovem morreu na Santa Casa, na noite da última terça-feira. Ele promete acionar o Ministério Público para que as causas da morte de sua filha sejam esclarecidas. “Vou procurar o Ministério Público, levar os exames como provas e fazer uma denúncia. O que aconteceu não vai ficar impune, quero justiça, eu quero o prefeito na cadeia”, afirmou o pai em entrevista ao programa Hora da Verdade Itinerante, da Difusora, ontem.
Para ele, o atendimento no Pronto-socorro Municipal foi falho e houve negligência médica. Além da falta de atenção dos profissionais, ele acredita que Eduarda não morreria se tivesse sido internada mais rapidamente.
O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) de Franca abrirá uma sindicância para apurar o caso. “Vamos solicitar a abertura da sindicância. Depois, médicos e familiares serão convocados para prestar depoimentos”, disse o delegado regional do Cremesp, Ulisses Minicussi. Não há prazo para o término deste procedimento, que irá investigar se houve erro no atendimento prestado a Eduarda na rede pública de Saúde.
O pai da adolescente quer que os médicos que consultaram sua filha também sejam responsabilizados. Em posse de todos os exames que ela realizou no PS, ele considera que os médicos ignoraram alterações importantes mostradas nos resultados.
“A gente é leigo, mas no exame de urina mostra uma quantidade de leucócitos (glóbulos brancos) de 392 mil, quando o normal é até 19 mil. O médico disse que era só uma ‘alteraçãozinha’, mas qualquer analfabeto consegue diagnosticar que ela estava com uma infecção gravíssima”, reclamou Adriano Segismundo.
Além da revolta, Adriano guarda com tristeza a imagem dos últimos momentos de vida de Eduarda. “Ela chegou andando, sentou na maca e disse que estava passando mal. Calcei um sapato nela, mas quando ia calçar o segundo, ela caiu no meu peito morta”, disse. Foram realizados vários procedimentos para tentar reanimá-la por mais de uma hora, segundo o pai.
Adriano afirma que na Santa Casa, a filha foi atendida rapidamente e o médico constatou que o problema era de infecção urinária em estado avançado.
A menina deu entrada no hospital com suspeita de colecistite, que é uma inflamação na vesícula biliar, e infecção generalizada (sepse) por infecção de urina. A causa da morte será averiguada pela Comissão de Verificação de Óbito e pelo IML (Instituto Médico Legal).
A família não recebeu nenhuma satisfação das autoridades, após a morte da adolescente.
Peregrinação
Eduarda Segismundo recebeu diversos diagnósticos desde sua primeira consulta no pronto-socorro, recebendo altas e retornando após piora dos sintomas.
Ela começou a sentir dores no peito na sexta-feira retrasada e, no sábado, esteve pela primeira vez no ‘Álvaro Azzuz’. No domingo, ela retornou ao pronto-socorro, onde segundo relatório da Secretaria de Saúde, a menina manifestava quadro de virose, recebeu soro e medicamentos.
Na segunda-feira, a adolescente deu a última entrada no PS, sendo realizado raio-x do tórax, exame de sangue e ultrassom. Na madrugada de segunda para terça, houve coleta de urina. Na terça, ela foi encaminhada para a Santa Casa, onde foi internada e morreu às 22 horas.
Eduarda cursava a 8ª série na EE “Homero Alves”. “A vida dela era estudar, ela queria ser médica. Ela, sim, ia ser médica realmente, porque ela tinha amor e ia salvar vidas, mas ela teve a própria vida interrompida por um bando de incompetentes”, lamenta o pai.
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