Não é mais possível que continuemos de cabeça baixa, tal qual gado a caminho do matadouro, a todas as decisões tomadas nos salões do Poder, seja em Brasília (Planalto e Congresso) seja em nível estadual ou municipal. O brasileiro, que muitas vezes age de forma leviana com seu voto, não pode mais aceitar que sua vida cotidiana seja tão afetada sem que pelo menos os seus anseios, reivindicações e aspirações comecem a ser levados em consideração. Nos últimos meses, consciente de ter sido ludibriada por uma campanha eleitoral de baixo nível que elegeu a presidente Dilma Rousseff (PT), a população acompanha a adoção de uma série de medidas que afetam a sua vida, o seu emprego e o seu bolso sem que faça alguma manifestação, nos moldes das que ocorreram em passado recente.
O reajuste no preço dos combustíveis, da energia elétrica e, agora, nas contas de água, foram responsáveis por impactar negativamente a inflação, que já beira perigosamente os 9% em doze meses, causando uma onda de reajustes em todos os setores, principalmente alimentação e serviços. Tudo isso provoca um rombo ainda maior no bolso dos trabalhadores, que acompanham, paralisados pela inércia, o aumento do desemprego, que leva à inadimplência e outras consequências ainda mais negativas. Há mais de um ano, a retração tomou conta do setor produtivo do País, num caos econômico causado única e exclusivamente pela imperícia da equipe econômica do governo desde 2008.
Agora, a Câmara dos Deputados vem aprovando uma reforma política onde, mais uma vez, o brasileiro que delega o mandato aos parlamentares é solenemente ignorado e pontos que lhe seriam caros acabaram derrotados, como o voto distrital (que traria proporcionalidade à representação parlamentar), o fim do voto obrigatório e a limitação do número de reeleições em todos os níveis (o que permitiria uma maior reformulação até nas casas legislativas, impedindo que políticos se eternizassem e se acomodassem ao mandato). Como se pode ver, só aprovaram o que lhes interessava, permitindo a manutenção de suas mordomias e benefícios.
Pois não é que ontem alas petistas começaram a articular o retorno da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras) para financiar a saúde? O ministro Joaquim Levy (Fazenda) precisou desmentir a informação, mas sabe-se que há estudos acelerados para se criar uma forma de aumentar as verbas para fazer caixa. Mais uma imposição ao brasileiro para cobrir os rombos do descontrole econômico do governo. Até agora, é a população que está pagando a conta do ajuste fiscal de Levy. Não se cortou na máquina administrativa e nem nas despesas de custeio de deputados e senadores. Por isso, é necessária uma reação contra este estado de coisas, que interferem negativamente em nossas vidas sem que, ao menos, sejamos ouvidos. Somente quando nós, brasileiros, passarmos da mais recente indignação para as manifestações explícitas de descontentamento, é que as coisas poderão ser diferentes em nosso País. Não há outras formas de demonstrar força a quem detém poder. É ir para a rua, de forma organizada, e exibir a insatisfação. É não renovar mandatos dos que provocaram a atual crise, que pode não pode ser a última.
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