Que todos os brasileiros enfrentam problemas no atendimento público de saúde não é novidade. A questão passa por gerenciamento deficiente das verbas, descaso, negligência e corrupção. É algo, que já se vê, não deve mudar tão cedo, enquanto nossos administradores não encararem o mandato como uma oportunidade de devolver aos seus eleitores a confiança depositada nas urnas. Até lá, continuaremos acompanhando tragédias como a que acometeu a família da adolescente Eduarda Segismundo, 14, que morreu após passar três vezes pelo Pronto Socorro “Álvaro Azzuz”. Após um verdadeiro calvário, ela foi internada com diagnóstico de infecção urinária. Não resistiu.
Assim como nas outras sete mortes suspeitas envolvendo a saúde pública em Franca, que é gerenciada pela Prefeitura Municipal, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) é tomado de um mutismo inacreditável, como se a coisa não fosse com ele: não se manifesta, não se desculpa e nem procura os familiares da vítima para oferecer solidariedade, pelo menos. Mais uma vez se omite. O chefe do Executivo já demonstrou várias vezes que não se sensibiliza com o sofrimento e a morte de pacientes m circunstâncias marcadas por falta de cuidado na área da saúde administrada pela prefeitura. E que as sindicâncias abertas pela Secretaria Municipal de Saúde não dão em nada, toda a cidade sabe. Que o digam as famílias de Luara Prieto, 25; Clésia de Araújo Novais, 31; Firmina Francisca da Silva, 47; Lúcia Modesto de Souza, 51; Jean Carlos da Silva, 39; Valter Júlio de Andrade e Renato Rodrigues de Oliveira, 36. Todos morreram após atendimento inadequado ou ineficiente na saúde pública francana.
Como sempre, Alexandre Ferreira mostra-se refratário ao que ocorre no setor, sem tomar qualquer atitude para tentar resolver esta delicada questão. Mantém a secretária da Saúde, não exige explicações e nem busca a mídia para apontar alguma providência a fim de evitar que o fato se repita. É um comportamento característico de avestruz,que diante de algo inusitado ou surpreendente enfia a cabeça dentro da terra como a ignorar o que acontece à sua volta. A continuar assim, Franca estará fadada a ver repetido este episódio trágico sem que aquele que foi eleito para administrar o município assuma as suas responsabilidades.
Além disso, outros problemas envolvem o gerenciamento da saúde pública na cidade, com suspeitas de superfaturamento no contrato fechado com uma OS (Organização Social), onde foram pagas quantias muito acima do acordado, com informações claramente fraudulentas para justificá-las. O prefeito prefere apontar números, mesmo quando se sabe que a maioria da população francana, que depende dos ambulatórios e unidades de atendimento público, reclama diariamente da falta de profissionais, medicamentos, filas imensas e negligência. Alexandre prefere se encastelar no Paço Municipal, imaginando-se onipotente e acima do bem e do mal. Mas, com certeza, a resposta ainda virá para a sua omissão criminosa quando se trata do setor de saúde.Sua falta de compaixão diante da dor dos que sofrem um dia será devidamente punida, pois é fato que a toda semeadura corresponde uma colheita.
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