Um abaixo-assinado com participação de mais de 800 pessoas, incluindo moradores, comerciantes e usuários da avenida Euclides Vieira Coelho, no Jardim Aeroporto, resultou na mudança de direção da via que agora tem sentido único: Centro-bairro. Apesar de ser uma reivindicação, a mudança tem gerado polêmica entre comerciantes, que temem a queda nas vendas.
O pespontador Valdeir Aparecido Meira, 40, organizou o abaixo-assinado depois de perder a sogra Ana Maria Dias, 56, que morreu no dia 8 de março deste ano, após um Vectra atingir sua Honda Biz, quando ela chegava na casa da sua filha. “Colhemos quase mil assinaturas de moradores, usuários da via e comerciantes. Os acidentes aqui eram frequentes, chegando a registrar até dois em uma semana. Era uma reivindicação de muitos e estamos satisfeitos com o resultado”, disse.
O fluxo de veículos e pedestres é intenso na avenida, principalmente pelo grande número de estabelecimentos comerciais, uma fábrica e a Escola Estadual “Júlio D’Elia”, que fica localizada próxima à via.
O funileiro Júnior César da Silva, 30, que possui uma oficina na avenida há cinco anos é outro que está satisfeito com a mudança. “Nesses anos em que estou aqui acompanhei dezenas de acidentes, alguns com vítimas fatais. Achei a mudança maravilhosa e nesses três dias já é possível observar que o fluxo de veículos diminuiu consideravelmente”, disse.
Apesar de muitos analisarem a mudança como positiva, vários comerciantes acreditam que a alteração prejudicará as vendas. Suely Bernardes Carvalho Castro, 50, que há 20 anos possui uma loja de roupas na avenida participou do abaixo-assinado, mas agora acredita que a decisão será prejudicial. “Apesar de acreditar que os meus clientes continuarão frequentando a minha loja, no geral, acho que vai prejudicar bastante os comerciantes”, disse. “Eu aderi ao abaixo-assinado, mas a reivindicação mesmo era que fossem instaladas lombofaixas aqui, para diminuir a velocidade e evitar os acidentes, não mudar o sentido da avenida”, completou.
O proprietário de uma loja de material de construções Edimir João Bombarda, 61, que trabalha há quatro anos na avenida, não aprovou a mudança. “Eu acredito que diminuirá drasticamente o fluxo de clientes aqui no bairro. Com a alteração, os moradores que antes precisavam passar pela avenida agora utilizarão outro caminho. Estimo uma queda de 30%, no mínimo, nas minhas vendas”, disse.
Na via, onde a velocidade máxima varia entre 30 e 40 quilômetros por hora, é normal motoristas trafegarem em alta velocidade. Essa, inclusive, é uma preocupação que continua mesmo com a mudança. “Antes a alta velocidade já era um grande problema aqui e, com a mudança, com certeza isso vai piorar muito”, disse o comerciante Daniel de Souza, 43.
Posicionamento
De acordo com o secretário municipal de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, antes da mudança, foi realizado um estudo que viabilizou a modificação no sentido. “Além de considerarmos o abaixo-assinado com mais de 800 assinaturas, que pedia claramente a mudança no sentido da via para mão única, realizamos um levantamento técnico que considerou a quantidade de acidentes registrados no local e os pontos cegos”, disse.
Já em relação ao excesso de velocidade, o secretário informou que radares móveis serão instalados periodicamente na avenida e os motoristas que forem flagrados em alta velocidade serão autuados.
Adhemar de Barros
Outra alteração no trânsito realizada nesta semana também tem causado polêmica. Trata-se do fechamento experimental realizado no cruzamento da rua Vitória com a avenida Adhemar de Barros, na zona Leste da cidade. O trecho, que era palco de acidentes diários, agora provoca congestionamento na altura da avenida Brasil.
Enquanto comerciantes da avenida Brasil reclamam do aumento de movimento de veículos na via, os comerciantes da Adhemar de Barros com a rua Vitória comemoram a alteração.
“Essa era reivindicação antiga nossa. Eram dezenas de acidentes, todos os dias havia colisões. Esperamos que essa mudança seja permanente”, disse Luiz Antônio de Oliveira, 54, que possui uma loja na rua Vitória.
Já o comerciante Carlos Alberto, 31, reclama dos congestionamentos causados pela mudança. “É positiva a mudança para evitar acidentes, mas em compensação aumentou uns 20% os congestionamentos aqui em horário de pico.”
Segundo Buranelli, o fechamento experimental deve prosseguir até segunda-feira, 15, e só depois um relatório sobre a mudança deve ser realizado. “Está bastante complicado resolver o problema daquele trecho. Enquanto os comerciantes da rua Vitória agradecem a alteração e torcem para que ela continue, os motoristas e também os comerciantes da avenida Brasil reclamam”, disse.
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