Era o ano de 2002. Acontecia, no Franca Shoping, a primeira Feira do Escritor Francano.
Meus olhos passeavam pelas capas e pelos títulos das obras expostas em prateleiras de metal, quando um homem de meia idade se dirigiu a mim. Confirmou minha identidade e asseverou-me que, embora morando longe, lia meus textos, já que parentes próximos dele moravam em Franca, ele aqui vinha com assiduidade. Na conversa rápida, lembro-me de que disse trabalhar na Justiça, em Poços de Caldas (juiz ou promotor público, não me lembro).
Nunca me esqueci foi das suas palavras de despedida:
- Sua obra-prima é Bilhetes.
Por timidez talvez, talvez pelo imprevisto da opinião franca, o certo é que deixei que o homem se fosse sem que eu anotasse seu nome e endereço.
Hoje, tantos anos depois, espero que aquele leitor ainda leia a imprensa francana, que a ele chegue o bilhete que através destas páginas lhe encaminho:
Caro leitor,
Contate-me.
Quero presenteá-lo
com minha última produção literária.
Ela é parenta próxima de Bilhetes.
Ainda hoje, tão distante do menino, continuo acreditando em Papai Noel. Por isso, planto aqui, nesta seara, uma esperança sadia.
É apenas uma semente. Mas acalento a certeza de que um passarinho a penderá no bico e a levará até os sítios daquele meu leitor.
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, autor de 23 livros
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