Uma adolescente saudável que teve sua vida interrompida após passar por uma verdadeira via-crúcis na rede pública de saúde e morrer com suspeita de infecção urinária. A estudante Eduarda Stefani Segismundo, 14, morreu na terça-feira na Santa Casa de Franca, após passar três vezes pelo Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. Ela cursava a 8ª série na Escola Estadual “Homero Alves”. Para a família, houve negligência no atendimento médico. Os pais da menina registraram um boletim de ocorrência de morte suspeita no Plantão Policial, após a tragédia.
A menina começou a sentir dores no peito na madrugada de sexta-feira passada. Foi levada ao PS pela primeira vez no sábado pela manhã. “A primeira suspeita era de uma infecção em um osso na região do peito. Foi feita uma radiografia no tórax e receitado um anti-inflamatório. No domingo, ela passou mal novamente, mas o médico nem examinou direito e receitou um remédio para o estômago”, disse o pai, o comerciante Adriano Segismundo, 38.
Na segunda-feira à noite, foi a terceira vez que os pais de Eduarda levaram a garota ao PS, onde foram realizados exames de sangue e urina. Ela permaneceu no local até o início da noite de terça-feira, quando foi transferida para a Santa Casa. No hospital, a suspeita era de infecção na vesícula e urinária.
“A infecção urinária estava muito forte, ela caiu morta nos meus braços, tentaram reanimar com massagem cardíaca e tudo que podiam, mas ela chegou tarde demais na Santa Casa”, disse o pai da menina.
O comerciante acredita que, se a infecção urinária tivesse sido diagnosticada mais cedo, Eduarda poderia ter sobrevivido. “O atendimento no ‘Álvaro Azzuz’ foi falho, eu pretendo que os fatos sejam esclarecidos para que isso não aconteça com outras pessoas. Perder uma menina como ela, com só 14 anos, inteligente, que queria ser médica e salvar vidas...”, desabafou o pai.
Tristeza
Apesar da indignação, o sofrimento pela perda predominava entre os familiares que compareceram ao velório de Eduarda ontem, no São Vicente de Paulo.
A mãe da menina, a lojista Vanilda de Sousa Segismundo, ficou chorando ao lado do caixão durante toda a cerimônia fúnebre. O irmão mais novo de Eduarda, Adriano Filho, 11, também estava inconsolável. Nos perfis dos pais em uma rede social na internet, foram deixadas inúmeras mensagens de luto e apoio por amigos e membros da família.
A morte prematura e rápida deixou os parentes inconformados. “Ela havia até melhorado um pouco, após a internação, mas morreu de repente quando o pai a ajudava a calçar os sapatos”, contou a prima da adolescente Pollyane de Sousa e Oliveira, 28.
O enterro da estudante acontece hoje, às 9 horas, no cemitério Santo Agostinho.
A morte
A Santa Casa de Franca comunicou, via assessoria de imprensa, que a adolescente foi prontamente atendida no hospital e recebeu todos os cuidados necessários de equipes médicas e de enfermagem. A morte aconteceu às 22 horas dessa terça.
O caso foi encaminhado à Comissão de Verificação de Óbito e ao IML (Instituto Médico Legal), que devem averiguar os motivos da morte.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde por e-mail e por telefone para indagar sobre o atendimento prestado à menina no “Álvaro Azzuz”, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
Eduarda Segismundo integra a lista de mortes com suspeitas de negligência ou erro médico na saúde pública de Franca. Até o fim do ano passado, oito pessoas haviam morrido, num prazo de 11 meses.
“Precisa de uma pessoa responsável para cuidar da Saúde em Franca, porque o prefeito (Alexandre Ferreira - PSDB) e os secretários que ele nomeia são incompetentes”, reclamou o pai.
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