Grãos de história: a tradição do milho nas festas juninas


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Presente sob diferentes formas nas festas juninas, o milho é alimento de grande  qualidade nutritiva e aparece em uma dezena de pratos deliciosos, doces e salgados.
Presente sob diferentes formas nas festas juninas, o milho é alimento de grande qualidade nutritiva e aparece em uma dezena de pratos deliciosos, doces e salgados.
Estamos no mês de junho e na antevéspera de Santo Antônio, o que significa dizer que muitas festas estão acontecendo e vão acontecer por toda a parte: escolas, clubes, ruas de bairros onde moradores se reúnem para celebrar os santos- depois de  Antônio vêm João, dia 24,e Pedro,  dia 30. Nas celebrações vamos encontrar os pratos típicos e tão apreciados pelas crianças. Os feitos à base de milho não podem faltar. 
 
Que o milho é um dos principais produtos agrícolas e um dos alimentos mais usados pelos brasileiros  nesta época do ano, todos nós sabemos. Em diferentes formas e na composição de dezenas de pratos, é também um dos cereais mais comuns em nosso dia-a-dia, pois se transforma em óleo e farinha, por exemplo.  O que nem todos conhecem é a história do milho. Afinal, de onde vem este que é um dos ingredientes mais usados na culinária e na produção agrícola não só brasileira, mas mundial?
 
Os primeiros registros do cultivo de milho datam de cerca de 7.300 anos e foram encontrados em pequenas ilhas próximas ao litoral mexicano. De acordo com pesquisadores  norte-americanos a cultura se espalhou de forma rápida pelo México. Do Sudoeste do país, onde foi domesticado primeiro, o milho foi levado para o Sudeste mexicano e para outras regiões tropicais da América, como o Panamá e a América do Sul.
 
No sítio arqueológico de Waynuna, no Sul do Peru, foram encontrados indícios (pequeninos  grãos de amido) da presença de milho datados de 4.000 anos. Ou seja, há cerca de 40 séculos já se cultivava o cereal na América do Sul. Sobretudo os índios guaranis tinham no cereal o principal ingrediente de sua dieta. Com a chegada dos portugueses, há pouco mais de 500 anos, o consumo aumentou e novos produtos à base de milho incorporaram-se aos hábitos alimentares dos brasileiros. Muito provavelmente, com as grandes navegações que se tornaram comuns no século XVI e com o início da colonização do continente americano, o milho se expandiu para outras partes do mundo.
 
O nome do cereal, “milho”, de origem caribenha, significa “o sustento da vida”. Vários povos indígenas reverenciam o milho em rituais artísticos e religiosos. Dificilmente se encontra um alimento que tenha tantas utilidades e seja presença tão constante no dia-a-dia de grande parte da população mundial. Várias cidades promovem eventos em homenagem ao milho, como festas e exposições. Pelo menos duas cidades brasileiras, Patos de Minas-MG e Xanxerê-SC, se auto-intitulam “capital do milho”. 
 
 
Curiosidades 1
 
Entre as diferentes formas de utilização do milho, foram encontrados nada menos do que 74 produtos derivados dele ou que têm seus componentes isolados ou transformados industrialmente. O levantamento foi publicado em revista editada pela Embrapa (Empresa Brasileira para a Agricultura). A autora é a cientista de alimentos Maria Cristina Dias Paes. Entre as dezenas de usos do milho, há alguns curiosos e até inesperados, como filmes fotográficos, cerveja, giz para quadro negro, maioneses, refrigerantes e tintas latex.
 
Curiosidades 2
 
Cora Coralina, poetisa brasileira nascida na cidade de Goiás Velho, no Estado de mesmo nome, dedicou ao milho um poema. Mulher de hábitos simples e doceira de profissão, ela produziu uma obra poética em que são marcantes traços e momentos característicos do interior do país, em particular do que acontece nos becos e nas ruas históricas da cidade onde nasceu. Ao poema que fez em homenagem ao milho, Cora (nascida Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas) deu o nome de “Oração do Milho”. Confira abaixo um trecho:
 
 
Oração do milho
 
“Fui o angu pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante.
Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam 
a vida em terra estranha (...)
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o cacarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós, Senhor,
Que me fizestes necessário e humilde.
Sou o milho.
 
CORA CORALINA

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