O ato de narrar acontecimentos, experiências e partilhar histórias é algo que fazemos a todo instante. Este hábito de transmitir conhecimentos, valores e emoções pela narrativa existe desde os primórdios da humanidade e acompanhou o seu desenvolvimento. Mais do que uma simples atividade ou forma de passar o tempo, atualmente contar histórias também pode ser uma profissão ou uma forma de se inserir no universo das pessoas que nos cercam.
Há quem o faça informalmente, em conversas rotineiras com a família, amigos e até mesmo com desconhecidos. Há pessoas que tornam o hábito de contar histórias uma profissão, um hobby ou um trabalho voluntário. Este último é o caso de Flordéia Tomás de Oliveira, que, desde março deste ano, atua como contadora de histórias para as crianças atendidas pela Academia de Artes, ONG mantida exclusivamente com os recursos do GCN Comunicação e de seus colaboradores.
‘Todos nós somos contadores de histórias. Basta perceber a forma utilizada, a razão de contá-las e quem queremos atingir com a narrativa’. Assim Flordéia, que além de voluntária da Academia, é coordenadora pedagógica da Escola Estadual “Frei Lauro de Carvalho Borges”, define os motivos de ter dedicado mais de vinte anos de sua vida como contadora de histórias para crianças, jovens e até para adultos.
Com sua carreira voltada para a educação, Flordéia, que possui pós-graduação em Mediadores de Leitura e curso de Contar Histórias pelo Senac, desde muito cedo teve interesse pelo universo dos livros e buscou transmitir esta paixão para outras pessoas. ‘Quando comecei a lecionar, na Pastoral do Menor e da Família, no Jardim Aeroporto, busquei criar narrativas que mesclavam elementos literários com o cotidiano das crianças. Algumas presenciavam agressões em casa e eu sempre trazia finais felizes’, comentou, sobre o seu trabalho de levar educação, fantasia e encantamento para os pequenos.
Cedendo uma hora de seus sábados (das 10 às 11 horas) a crianças que participam do projeto de contar histórias ‘Eu Conto Assim!’, Flordéia busca associar temas voltados para crianças com a nossa sociedade. Entre os livros mais utilizados no ato de contar histórias, estão Matilda, de Roald Dahl e Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque. Além destes autores, diversas obras de Monteiro Lobato e Ana Maria Machado compõem a arte de Flordéia, que utiliza fantoches, música e as próprias crianças para contar as histórias.
Sobre as redes sociais, Flordéia é objetiva: mesmo com a existência destas mídias, o contato físico e o olhar ao contar e se ouvir uma história são maiores que a experiência da internet. ‘Quando se coloca um livro na frente de uma criança, ela larga qualquer celular, tablet e qualquer objeto. O livro ainda é o elemento que mais desperta atenção e curiosidade, pois após ouvirem a história, eles querem pegar o livro e ler para ou com os pais’, disse a contadora de histórias.
O trabalho de difundir conhecimento e manifestações artísticas feito pela instituição Academia de Artes, para Flordéia, é algo que merece elogios. Ela sonha ver mais pessoas atuando como voluntárias e com o dia em que as pessoas saberão quem é um contador de histórias para que o ofício tenha maior espaço no cenário cultural de Franca. ‘O pessoal da Academia de Artes, como a Sandra e a Sônia Machiavelli, não imagina o quanto ter vindo para cá me fez bem. Quero criar um curso de contadores de histórias para os pais das crianças assistidas por nós e propagar a arte em Franca’, revelou, em meio a tantas histórias e narrativas, desejando um final feliz no enredo de sua vida como contadora de histórias.
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