O aspecto espiritual do universo, o ambiente da inteligência, há que ser mais importante que o material. Todavia, faz-se indispensável a que o espírito se alavanque no sentido da pureza, finalidade suprema das leis naturais, ou divinas. Homem e espírito se situam em dimensões diferentes, mas, essencialmente espíritos, se mantêm em constante intercâmbio, uns com menor, outros com maior grau de mediunidade, daí serem perfeitas ou imperfeitas as comunicações interdimensionais.
Ocorre que muitos, sem que saibam ser possível dialogar com o mundo espiritual, queixam-se de ouvir vozes, ruídos, ver vultos, o que pode somatizar-se, com reflexos na saúde física. Quantos há que não se sabem médiuns, ou, sabendo-o, recusam o exercício de tão sublime faculdade? Outros não hesitam em utilizar a serviço do mal, já que mediunidade independe de moralidade.
Na captação de informações ou meras impressões mediúnicas, é indispensável a aplicação de critério que posa distinguir o que é real do que não é. Audição, visão ou percepção nem sempre são fenômenos espirituais. Recomenda o Espiritismo que a certeza deva vir após elididas todas as possibilidades de falsas impressões, como ruídos do vento, passos de animais, miragens, manchas oculares, o buzinar de afastado veículo a repercutir na acústica do cérebro, dando-lhe a impressão de que pronunciaram seu nome.
Considerem-se também enfermidades psíquicas, a exemplo de paciente que, conforme matéria da Folha de S. Paulo de 15 de maio último, publicou livro em parceria com seu médico relatando que ouvia vozes e sofria delírios, o que o levou a um centro espírita, concluindo-se depois, tratar-se de esquizofrenia. No contexto espiritual onde o bem o mal estão presentes, Jesus, com a expressão ‘a cada um segundo as suas obras’, nos recomenda vigilância sempre. Isso significa constante prática da caridade, a estabelecer-nos sintonia vibratória apenas com os bons espíritos.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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