Em pleno século XXI, o Brasil ainda é o país dos extremos: enquanto em algumas regiões o avanço tecnológico é capaz de apresentar números de primeiro mundo, em outras ainda não saímos dos primórdios do século passado. Não se pode conceber, mesmo diante da criação de políticas sociais públicas, que ainda haja no Brasil locais onde a energia elétrica ainda não chegou. Reportagens de televisão mostraram, dias atrás, a situação de alguns brasileiros que continuam à espera dos benefícios anunciados pelo “Luz Para Todos”. Eles não conhecem televisão, usam lamparinas a querosene e velas, como ocorria no século XIX, mostrando um atraso que não se concebe neste segundo milênio.
Enquanto somos um dos países onde o pagamento de impostos e tributos é comparado a diversos outros em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), como Suíça, Reino Unido e Alemanha, na contramão oferecemos serviços públicos de qualidade questionável, ao contrário dos acima citados. Não se pode admitir que num Brasil onde há centros médicos de excelência para o tratamento de diversas doenças, ainda exista outro Brasil onde pacientes morrem à espera de atendimento, amontoados em corredores. Ao mesmo tempo, dinheiro que deveria estar melhorando o atendimento nestas unidades problemáticas é desviado por bandos especializados em fraudar procedimentos, como cirurgias e medicamentos.
Da mesma forma que a Internet já é uma realidade em todos os Estados brasileiros e a telefonia celular se disseminou País afora, há certos rincões onde se vive à margem da tecnologia e do desenvolvimento, desconhecendo a própria existência da Internet e do telefone celular. Não contam com esgoto, água tratada ou pelo menos um ponto de luz dentro de casa. Há brasileiros que, confiando nas promessas governamentais — e ao ver a colocação de postes nas imediações de casa — compraram geladeira e televisão que, há mais de um ano, ainda não puderam utilizar. E vão esperar mais outro tanto, já que as obras estão paradas, sem qualquer previsão de retomada.
É preciso que as autoridades governamentais e os legisladores eleitos considerem o Brasil como um só, olhando da mesma forma para os centros mais desenvolvidos e para os mais carentes. É preciso pensar o nosso País globalmente, ter uma visão ampla de nossas potencialidades assim como de nossas carências. As promessas são amplamente divulgadas em período eleitoral, mas grande parte delas não sai do papel. Quando se busca o equilíbrio fiscal, os cortes orçamentários atingem apenas os setores essenciais, mas as despesas correntes continuam intocadas. Nada afeta a ineficiente máquina administrativa, inchada em razão dos acordos políticos fechados em troca de apoio. Aos contribuintes, trabalhadores e empresários, pede-se que apertem os cintos. Mas não se vê o mesmo por parte dos entes públicos. E tudo isso continua mantendo um abismo entre dois Brasis antagônicos que, pelo andar da carruagem, ainda vai perdurar por muito tempo, enquanto não se fizerem as reformas necessárias e corajosas que o País reclama e precisa com urgência.
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