Reajuste de mais de 15% deixa conta de água mais salgada


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O pintor Osvaldo Silvestre reclama do aumento de água em meio a tantos outros reajustes
O pintor Osvaldo Silvestre reclama do aumento de água em meio a tantos outros reajustes
A tarifa de água cobrada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) está 15,24% mais cara desde a última quinta-feira. O reajuste foi autorizado no mês passado pela Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) e passou a vigorar em 359 municípios do Estado, incluindo Franca. 
 
Esse reajuste, o segundo em aproximadamente seis meses, promete complicar ainda mais o orçamento dos francanos. Em Franca, existem 124 mil ligações de água. 
 
De acordo com o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia, neste mês, o reajuste será cobrado proporcionalmente. “Como o reajuste passou a vigorar neste dia 4, os valores das contas serão cobrados de forma proporcional. Por exemplo, no dia 20, é normalmente realizada a leitura de alguns locais, assim serão cobrados 14 dias com a taxa sem reajuste e 16 dias com o reajuste”, explicou o gerente. 
 
O pintor Osvaldo Silvestre, 64, morador do bairro Jardim Aeroporto III, mostrou indignação com o reajuste, que considera mais um “abuso” contra a população. “Todos os dias somos surpreendidos com um novo aumento. Foi a energia duas vezes, consequentemente, tudo ficou mais caro, agora em menos de seis meses novamente aumenta a água. Talvez, se esses políticos não roubassem tanto, a população não estaria sofrendo tanto com essa economia”, disse.
 
A moradora do bairro Vila São Sebastião, Aline Borges, 25, que trabalha em uma fábrica como coladeira, se mostrou preocupada com o reajuste. “Eu não sei como será daqui pra frente. Com tantos reajustes, acabamos comprando menos coisas que são essenciais, como a comida. Está cada dia mais difícil”, desabafou a sapateira. 
 
Dono de um café na praça Barão, o comerciante Marcel Elias, 35, confessou que esse reajuste, unido ao da energia que aconteceu há alguns meses, afeta bastante o seu estabelecimento. “Usamos bastante água aqui, seja para fazer o principal produto que comercializamos, nesse caso o café, ou até mesmo para a limpeza do local. A água é matéria-prima de muitos produtos, por isso, fica muito complicado”, disse o comerciante. 
 
“Estamos tentando segurar ao máximo e não repassar esse aumento para o consumidor, mas não sei por quanto tempo será possível”, completou Marcel Elias.
 
A autônoma Rosa Maria Teixeira, 53, moradora do bairro Vila Rezende, disse que é preciso se desdobrar para conseguir pagar as contas no fim do mês. “Com tantos aumentos, fica complicado administrar um orçamento hoje em dia. Tem que diminuir e gastar menos, rebolar mesmo, para dar conta de todas as despesas no final do mês”, disse.
 
Reajustes
O reajuste da tarifa de água foi apenas mais um em meio a tantos realizados nos últimos meses.
 
Em março, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou um reajuste de 31,8% na energia elétrica devido a uma revisão extraordinária de tarifas. Já em abril, a CPFL Paulista aplicou o aumento anual. Na época, o reajuste tarifário foi de 4,13% para os consumidores residenciais e 5,29% para as indústrias. 
 
Com o aumento na conta de energia, consequentemente, vários setores repassaram os custos para os consumidores. Foi o caso do pão francês, que sofreu reajuste de 5% a 7% em abril.
 

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