Praia do Pepino, Rio de Janeiro dos velhos tempos. Vestido carmim, justo; ou melhor, colado aos quadris, insinuante. Sensibilidade à flor da pele. Lábios carnudos, rubros, bochechas rubras, olhos de peixe morto. Sua passagem rápida pela praia atraía os olhares dos homens, que ficavam cheios de desejos pela miragem. Paixão avassaladora, insaciável. Pouco se sabia a respeito daquela mulher. Seria transexual? Feliz? Infeliz? Talvez fosse donzela de dia e à noite...
Certa feita, a dama misteriosa, fazendo seu eventual passeio pela praia, nem percebe que estava sendo seguida. Os passos se tornam mais ágeis, quase a atropelam. À direita, uma Casa Noturna, com luzes fluorescentes, avermelhadas. Ela adentra sem olhar para os lados. Tão absorta em sua solidão... De repente, os passos se diluem. Surge à sua frente um homem forte, esbaforido, soltando faíscas por todos os poros.
- O que faz aqui, sua desavergonhada?
- O mesmo que você, seu insolente, cafajeste !!!
-Já pra casa, mulher minha não frequenta um antro desses!
- Marido que se preza ama sua companheira, respeita. Suma da minha frente, da minha vida, não aguento mais ser trocada por qualquer uma, por um copo de cerveja. Chega !!! Você não é meu dono. Vai cantar de galo noutra freguesia.
- Não acredito, cadê aquela mulher honesta, carinhosa que conheci?
-Você destruiu com seu pouco caso. Você não prefere passar as noites na rua a me fazer companhia?
Ele, furioso, saca um revólver e... Ela se esvai numa poça vermelha, como suas vestes.
Cirlene Ap. de Pádua Teixeira, professora
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