Debate político


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Democracia pressupõe a convivência harmoniosa de pessoas com pontos de vista divergentes, muito embora saber conviver com contrários não seja tarefa fácil para muitos. 
 
A vida em sociedade exige o pleno exercício da tolerância mas, infelizmente, essa virtude nem sempre é exercitada. 
 
É assim que nascem graves conflitos no ambiente doméstico, no contexto das escolas, no dia a dia do trabalho, nos embates das entidades de classe, e até, na prática do lazer em clubes associativos e, especialmente, no jogo político. Aliás, neste campo, tolerância é imprescindível. Há alguns que além de intolerantes, são também derrotistas, especialmente com os projetos dos outros. Qualquer iniciativa não apoiada acaba recebendo reprovação em tom definitivo: ‘isso não vai dar certo’!
 
Tenho acompanhado pela televisão importantes votações de interesse do povo brasileiro nos planos econômico, social e político, inclusive a tramitação do projeto de lei que flexibiliza os contratos de terceirização entre empresas, permitindo que se terceirize a atividade fim, projeto esse que se encontrava parado há onze anos na Câmara dos Deputados. Agora, foi aprovado em votação tumultuada e, seguindo as regras, vai ao Senado, para outra votação. 
 
O que impressiona negativamente é a absoluta intolerância de alguns parlamentares com a opinião divergente do outro, notadamente em casa de leis onde deveria imperar o debate de ideias. Não raro, alguns deputados só não chegam as vias de fato graças à pronta interferência dos alguns colegas mais equilibrados e à segurança do Congresso Nacional.
 
Essa intolerância com os contrários é inconcebível em um país que se pretende democrático. Acho que a advertência de Voltaire — ‘Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las’ — deveria estar escrita com letras garrafais no plenário do Congresso Nacional, mas...
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.
 

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