A política do troca-troca


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Não há o que negar: um dos maiores problemas da política brasileira perdura desde o período colonial. É o chamado troca-troca, onde os apoios são barganhados por cargos. Este tipo de atitude, o chamado corporativismo, é um dos grandes responsáveis por manter a nossa síndrome de subdesenvolvidos, impedindo que cargos públicos de grande responsabilidade sejam ocupados por técnicos de reconhecida capacidade. Basta ser parente ou amigo de políticos para assumir postos-chave em empresas estatais e autarquias. E a questão não envolve apenas o governo federal, mas também chega aos municípios, como deixou claro o vereador afastado Luiz Vergara (PSB). Segundo se noticiou, ele recebeu a promessa de cargos na administração municipal para assumir a liderança de Alexandre Ferreira (PSDB) na Câmara.
 
Os chamados cargos comissionados são usados para alianças espúrias, que só servem para deixar o País marcando passo. A privatização de estatais, promovida ainda na década de 1990 pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, serviu para mostrar o tamanho desta excrescência: empresas como a Vale do Rio Doce (hoje conhecida só como Vale) eram utilizadas como cabides de emprego, para acomodar os amigos dos governantes de plantão. A Vale, ao se tornar particular, voltou a crescer e dar lucro, sendo hoje uma das maiores do mundo. Antes, ainda privada, acumulava prejuízos e estava próxima da insolvência, numa demonstração clara de que vinha sendo gerida de forma temerária, com os quadros inchados e quase sucateada. O recente caso da Petrobras, utilizada para amealhar dinheiro para partidos políticos e seus filiados, é outra prova disso.
 
Hoje, no serviço público brasileiro, com raras exceções, não se nomeia por mérito. Utiliza-se o “QI” (Quem Indica) sem que a capacidade seja priorizada. É um dos maiores males do País e acaba desembocando numa corrupção endêmica, que corrói os cofres públicos e impede que serviços de qualidade sejam oferecidos aos que realmente necessitam. A existência dos cargos comissionados, que coloca elementos estranhos aos postos de mando pelas portas dos fundos de ministérios, estatais e secretarias dos três níveis de administração, dificilmente será combatida. Não interessa àqueles que mandam romper com esta tradição danosa e histórica.
 
Na política brasileira as ideologias pouco interessam. As afinidades entre as legendas não valem. O que vigora é o toma lá dá cá que continua sendo encarado de forma natural. Cooptam-se deputados e partidos políticos com cargos e vantagens. Enquanto nada disso mudar, dificilmente o Brasil conseguirá dar uma virada na sua administração pública, hoje ineficiente. A transparência e a eficiência só serão atingidas quando a coisa pública for tocada como as mais eficientes empresas do setor privado: com quadros enxutos e suficientes, priorizando a meritocracia e limando os cabides de emprego que tanto interessam aos que se aproximam e se aferram ao poder. Será que, com este pessoal que aí está, conseguiremos mudar isto? Só o tempo dirá.
 
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