Mulher sob pressão aborta em agência e Itaú é processado em R$ 20 milhões


| Tempo de leitura: 2 min
Imagem de divulgação
Imagem de divulgação

Uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho do Tocantins (MPT-TO) está processando o Itaú em R$ 20 milhões por assédio moral coletivo. Uma funcionária do banco colocada sob pressão teria passado por um aborto espontâneo em uma agência no Tocantins em 2013. Depois de perder o bebê, ela ainda foi forçada a terminar suas tarefas antes de poder procurar um hospital.

O caso foi denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Tocantins (Sintec-TO). A funcionária passou mal e abortou durante o expediente, mas não pode procurar auxílio médico até finalizar seu trabalho. “Mesmo ensanguentada, ela não pôde sair da agência até fechar a tesouraria, três horas depois do aborto”, disse o MPT-TO em nota. O feto teria sido colocado em um saco plástico durante esse período. Após receber atendimento médico, a mulher voltou ao trabalho no dia seguinte para transferir a tesouraria para um colega e seu afastamento legal de 30 dias foi reduzido para apenas 4.

O MPT também alega que a empresa exerce enorme pressão sobre seus funcionários, fazendo com que eles não pudessem almoçar e precisassem fazer horas extras. O motivo seria o reduzido número de trabalhadores, que acarretou acúmulo de funções. Também existem relatos de que o banco punia funcionários que adoeciam. “Neste ambiente insalubre, empregados sofreram doenças organizacionais, como estresse, tendinite e lesão por esforço repetitivo, sendo alguns demitidos em razão dos problemas de saúde”, continua a nota do MPT-TO.

Uma audiência entre as partes está marcada para o próximo 12 de junho. Além da indenização por dano moral coletivo, o processo pede que o Itaú estabeleça metas compatíveis com a atividade laboral, conceda pausas remuneradas para descanso, pague horas extras, evite o acúmulo de funções e não persiga bancários que prestarem depoimento no inquérito.

Não é a primeira vez que uma colaboradora do Itaú aborta em uma agência. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou o banco em 2012 a indenizar em R$ 150 mil uma outra funcionária que sofreu aborto espontâneo após passar por estresse. O caso ocorreu em 2006.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários