Os números da economia brasileira relativos ao primeiro trimestre do ano, divulgados pelo IBGE na sexta-feira (29 de maio), não foram nada auspiciosos. Ao contrário, são totalmente desanimadores. Ao que parece, estamos numa retração perfeita (recessão, para os céticos), padecendo dos males que a acompanham.
O PIB (Produto Interno Bruto) registrou, no período, queda de 0,2% em relação ao trimestre anterior; e de 1,6% comparado com o mesmo período de 2014. Analistas projetam para o final do ano queda de até 2,2%, maior que a última estimativa do Boletim Focus, do BC, que indicava redução de 1,24%.
Responsável por 63% do PIB, o consumo das famílias recuou 0,9% no primeiro trimestre, pior resultado em doze anos. Estamos comprando menos, cortando gastos, substituindo produtos caros por outros mais baratos, pois, a renda está diminuindo e os preços, aumentando. O fantasma do desemprego, por sua vez, tem aparecido com frequência em face da queda na procura, inclusive de bens industrializados.
Os brasileiros enfrentam, presentemente, três grandes problemas: inflação, carestia e desemprego. Nos últimos doze meses, preços aumentaram 8,2%, muito acima do teto da meta, 6,5%. Nos supermercados, porém, os produtos da cesta básica apresentam altas maiores que as da inflação medida pelos índices de preços. Na raiz do problema estão desgoverno e equívocos.
A carestia é mal brasileiro. Tudo aqui é mais caro, de bens de primeira necessidade a estacionamento, , de sabão em pó a desodorante. Tributação exacerbada, produtividade baixa, carências na logística, infra-estrutura mambembe, medidas demagógicas na condução dos preços administrados estão entre as causas. Vivemos duro período de (re) ajuste da economia. Empresários e consumidores mostram sinais claros de falta de confiança. A transição para um tempo melhor será dolorosa.
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA/USP
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