Balança sobe, mas...


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A situação da economia brasileira continua apontando para uma recessão e, por causa disso, qualquer número positivo é motivo de comemoração para o governo federal, que ainda luta para aprovar todos os pontos do ajuste fiscal e tentar reverter a situação criada nos últimos quatro anos de descontrole das contas. Ao mesmo tempo em que a inflação começa a explodir, beirando perigosamente os 9% em doze meses, o governo divulga com estardalhaço um superávit no comércio exterior, melhor resultado para maio nos últimos três anos. Nesta mesma segunda, o secretário do Planejamento Nélson Barbosa afirmou que o esforço fiscal perseguido pelo Brasil vai durar pelo menos dois anos. Ou seja, o aperto continuará produzindo reflexos em nossa economia por todo este tempo, atingindo principalmente a classe trabalhadora.
 
Por isso, o saldo da balança, que ainda continua negativo, não pode ser visto como um indício da melhora do setor produtivo. Como o anunciado ontem pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a balança comercial brasileira registrou em maio um superávit de US$ 2,761 bilhões, resultado de exportações de US$ 16,769 bilhões e importações de US$ 14,008 bilhões. Em maio do ano passado, a balança teve um superávit de US$ 711 milhões. Este é o melhor resultado para o mês de maio desde 2012. Porém, este valor só foi atingido por causa da conta-petróleo: maio registrou uma redução na compra do petróleo do exterior, além de um incremento de 300% na venda de etanol. O aumento no preço dos combustíveis no Brasil explica a queda em razão da menor demanda.
 
Quando se compara com outros índices, como as movimentações em montadoras, percebe-se que a balança comercial não pode ser encarada como reflexo da produção interna. A indústria automobilística, cujas vendas já causaram superávits sucessivos, vem atravessando uma das piores crises dos últimos anos: com queda superior a 20% nas vendas nos últimos meses, mais de 12 mil trabalhadores foram demitidos ou afastados, em férias coletivas, pelas montadoras desde janeiro. Além disso, há uma perspectiva de que este número aumente para 40 mil nos próximos meses caso os pátios das fábricas continuem abarrotados, como ocorre atualmente. A produção, praticamente parada, dá bem a dimensão do que vem ocorrendo com nossa economia e não há, pelo menos em curto prazo, qualquer perspectiva de melhora.
 
Há que se torcer para que, nos próximos dias, o MDIC anuncie um novo pacote para o setor produtivo, principalmente a indústria, inclusive com uma nova desoneração da folha, numa tentativa de se reverter este quadro. Programas de incentivo à exportação ainda são aguardados, no sentido de que a produção seja retomada e a massa de trabalho recomposta. Do contrário, não será apenas com a restrição às importações que o quadro sofrerá melhoras. Aí, sim, permanecem os números positivos da balança enquanto os índices econômicos internos continuarão em baixa, sinalizando para uma recessão que será difícil superar.

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