Caos de 'Babilônia' é exposto por sinceridade de Gilberto Braga


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Gilberto Braga
Gilberto Braga

Os problemas de Babilônia, novela das 21h, vem castigando o folhetim que está no ar desde março. Com audiência abaixo do esperado e rejeição à alguns personagens, as coisas não melhoraram depois que os autores reescreveram histórias e alteraram completamente o rumo de alguns personagens, o que resultou em capítulos reeditados e muito material descartado. A tentativa de reconquistar a audiência acabou terminando com a decisão da emissora de antecipar o fim da novela em pelo menos um mês.

O principal autor da trama, Gilberto Braga deu uma entrevista polêmica ao jornal O Globo no último domingo (31). O veterano qualificou a audiência da novela nas primeiras semanas como “calamitosa” e “catastrófica”, termos nunca usados pela emissora. Disse também estar satisfeito com as mudanças, mas disse estar tendo muito trabalho para reescrever e criticou a Globo pela ordem de alterações na trama aprovada um ano antes. “Era forte e ninguém falou nada. Depois que a novela entrou no ar falaram: cafetão e garota de programa não pode! Tinham que ter me avisado na sinopse.”

Ele não enxerga, porém, muitas falhas da história que escreveu e coloca a culpa no telespectador, especialmente o de São Paulo. “Paulista é esquisito. Um dos meus melhores amigos é o Silvio de Abreu. Ele fez o personagem Jamanta (em ‘Torre de Babel’, de 1998). Odeio Jamanta e falei: ‘Jamanta de novo?’ (quando ele voltou em ‘Belíssima’, de 2005). Ele disse: ‘É um fenômeno paulista. Fora de São Paulo ninguém suporta, mas lá é um sucesso. Por isso que eu botei’. Acho que o problema está aí. Não sei escrever para quem gosta de Jamanta. Meu universo é anti-Jamanta,” polemiza.

As alfinetadas não pararam por aí e voltam quando ele explica porque desistiu de tornar o personagem Carlos Alberto (Marcos Pasquim) gay: “Para atender um pedido de um grupo de discussão de São Paulo. Elas tinham tesão pelo Pasquim e lamentaram o fato de ele ser gay na novela. Eu fiquei com pena das mulheres e botei ele para ser hetero.”

Em suas apostas para a novela, ele menciona apenas uma – uma trama paralela pretensamente cômica e muito batida envolvendo uma mulher extrovertida da favela Babilônia vivida por Juliana Alves e um rapaz tímido do Leme interpretado por Marcos Veras. Além disso, ele também se exime da responsabilidade pela repercussão do beijo gay entre Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro): “O beijo que eu escrevi era um selinho. Eu fiz a cena e lembro que botei selinho. Fernanda, que gosta muito da novela, sugeriu ao (diretor) Dennis Carvalho que fosse um beijo um pouco mais longo e romântico. Não chegou a ser chupão, mas ficou um beijo. Não estou dizendo que a culpa é da Fernanda porque todos nós vimos e gostamos. Então todo mundo é responsável. Ninguém viu nada demais naquele beijo.”

Braga também disse que não pretende se aposentar, apesar dos 75 anos de idade, já que paga “um condomínio muito alto. Aqui, em Paris e em Nova York,” mas que se sentiu deprimido com o fracasso da novela. O que mais lhe incomoda é que seu folhetim tem menos audiência que a novela das 19h, o que, segundo ele, é uma “humilhação pública diária.” Ele tem três meses para tentar reverter o quadro.

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