'Meu noivo terminou comigo por telefone quando eu estava com câncer'


| Tempo de leitura: 3 min
Karen Martinelli
Karen Martinelli

Karen Martinelli é paulistana e tem 30 anos. Quando estava com 27, sua vida parecia estar indo perfeitamente bem: trabalhava como produtora de moda e estava noiva de um rapaz com quem namorava há um ano e meio e acreditava ser o homem da sua vida. Tudo ia bem até que, acometida por febres sem explicação aparente, ela descobriu um caroço em seu pescoço e procurou um médico. O diagnóstico foi assustador: linfoma de Hodgkin (câncer do sistema linfático) em estado avançado e internação imediata. Assustada com a possibilidade de perder seu cabelo, Karen quis começar o tratamento apenas depois de sua festa de noivado.

Tudo correu bem e ela fez sua primeira sessão de quimioterapia três dias antes do Natal acompanhada de seus pais e do noivo. O tratamento agressivo fez com que ela tivesse que repensar seus relacionamentos e amizades. “Havia o grupo dos que não se importavam, o dos que não sabiam lidar comigo e aqueles que estavam ali pro que eu precisasse”, ela contou à revista Glamour. Fraca e sofrendo com os efeitos colaterais do tratamento, que envolviam febre, enjoos e cansaço, ela diz que não conseguia sair de casa e o noivo começou a ver que o relacionamento não seria o mesmo enquanto ela estivesse doente - mas nada a preparou para o que viria a seguir. “Um dia, recebi um telefonema do meu noivo. Ele estava com uma voz supercalma e me disse: 'Ká, é melhor você seguir o seu caminho. E eu, o meu.' Acredita? Foi assim que ele terminou comigo. Fiquei arrasada, eu já estava fraca, só tinha vontade de chorar e desistir de tudo.”

Sua médica lhe deu força para que ela não se entregasse, dizendo que o câncer adoraria vê-la daquele jeito, e que para sobreviver ela precisava lutar. “Pensei e decidi que nem a doença nem a tristeza iam me vencer”, lembra.

Karen passou por oito meses de quimioterapia e 24 sessões de radioterapia que lhe deixaram com manchas e cicatrizes. O ex reapareceu querendo voltar. “Ele disse que se arrependia do que tinha feito, que não devia ter me largado enquanto eu estava doente. Entendi que se ele tinha virado meu ex naquela época tão difícil pra mim, não tinha razão nenhuma pra voltar e cortei relações com ele". 

Depois de todo esse sofrimento, ela recebeu outro baque: o câncer tinha voltado e a única possibilidade de cura era um transplante de medula óssea. As sessões de quimioterapia ficaram mais fortes, ela perdeu todo o cabelo, teve trombose e engordou 20 kg com a medicação, mas descobriu que poderia ser sua própria doadora.

Ela recebeu a medula e seu corpo reagiu. Depois de tanto sofrimento, hoje Karen tem uma vida normal e só consegue falar do que passou agora, um ano depois. Está solteira, mas também mais forte e decidida. Com a experiência ela criou o Projeto do Rei, que auxilia mulheres com câncer. “Na primeira quimio, as pacientes recebem um kit com um lenço, um cosmético e um livro motivacional. Também faço palestras em que dou dicas de moda e maquiagem pra quem está se tratando. Também conto a minha experiência. É emocionante ver que hoje sou capaz de ajudar pessoas que estão passando pelo mesmo que eu passei. Sai de tudo isso como uma pessoa bem melhor e que sabe valorizar o que realmente importa na vida”, finaliza.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários