A construção de dois banheiros para os feirantes na avenida Major Nicácio vai custar quase o valor de uma casa popular de dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Pelo dois cômodos, a Prefeitura deve desembolsar quase R$ 42 mil. O valor tem gerado indignação e muitas críticas.
A obra começou há cerca de um mês. Os dois banheiros estão sendo erguidos no canteiro central ao lado de um ponto de táxi próximo ao cruzamento com a avenida Presidente Vargas. Os dois cômodos medem cerca de quatro metros quadrados. As paredes já foram erguidas. Mas ainda falta colocar o sanitário e as pias. Também não há acabamento.
No início da semana passada, a Prefeitura colocou uma enorme placa de identificação da obra com o nome da empresa responsável e o valor a ser pago. Foi quando começaram as reclamações. “No começo, achei que tinha sido um erro de quem fez a placa. Achei que tinham errado no valor. Mas fui questionar o pedreiro responsável e ele disse que o valor era mesmo de mais de R$ 40 mil. Achei um absurdo”, disse a dona de casa Regina Magalhães, 53, que mora a três quarteirões da obra.
Os taxistas, que têm um pequeno imóvel com banheiro e pia ao lado da obra, também se disseram surpresos com o valor que está sendo pago pela Prefeitura. “Para fazermos este cômodo que é praticamente igual ao que está sendo construído, em valores atualizados, teríamos gasto no máximo uns R$ 10 mil. Pagar R$ 42 mil em dois banheiros é muita coisa, né”, disse um dos profissionais que pediu para não ser identificado.
Pela tabela do Sistema de Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o metro quadrado da construção no estado de São Paulo em abril de 2015 foi de R$ 1.055. Pelo tamanho da obra, o normal seria que ela custasse cerca de R$ 4 mil. O mesmo sistema também traz o valor médio pago pelo metro quadrado no estado por imóveis considerado de alto padrão (R$ 1.349). A obra custaria, então, cerca de R$ 6 mil.
O Comércio também consultou três pedreiros sobre a construção dos banheiros. Todos apresentaram orçamentos na casa dos R$ 10 mil, já inclusos materiais e mão-de-obra. “Não tive acesso ao projeto para calcular corretamente, mas pelo que vi, são cerca de quatro metros quadrados. Se o acabamento escolhido for dos melhores, acho que os banheiros sairiam por menos de R$ 12 mil”, disse o pedreiro Luiz da Silva, que há 23 trabalha com construção de casas na cidade.
A construtora
A Sicon Engenharia, empresa responsável pela obra, é nova no mercado. Foi criada em julho do ano passado. O Comércio tentou ouvir os responsáveis para entender a razão da construção dos banheiros custar quase o preço de uma casa popular. Mas no telefone que consta do cadastro da empresa, a companhia telefônica informa que o número não existe. No endereço da Sicon, na Estação, no final da tarde de sexta-feira e no sábado, não havia ninguém.
A Prefeitura também foi procurada para comentar o assunto mas não respondeu ao email encaminhado pela reportagem. Informou apenas que a obra é adaptada para deficientes e uma reivindicação antiga dos feirantes.
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