Prefeito disputa batismo de prédio com Valéria


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Prédio “esqueleto” reformado para abrigar a Secretaria Municipal de Educação, nome do local deve gerar polêmica na Câmara
Prédio “esqueleto” reformado para abrigar a Secretaria Municipal de Educação, nome do local deve gerar polêmica na Câmara
A guerra do prefeito com os vereadores que se recusam a integrar o seu bloco de apoio na Câmara está ultrapassando a fronteira do bom senso e vai atingir duas famílias de bem e que não têm nada a ver com as picuinhas políticas que envolvem Alexandre Ferreira (PSDB) e seus adversários. Depois de tentar expor Márcio do Flórida (PT), com a abertura de uma CEI que levará o nada a lugar nenhum, agora o governo municipal decidiu confrontar Valéria Marson (PSDB) com uma disputa que irá gerar desgaste e constrangimento.
 
A briga do momento é pelo batismo da nova sede da Secretaria de Educação, construída no antigo prédio, conhecido como “esqueleto”, na entrada de Franca. A Prefeitura, nos últimos anos da gestão de Sidnei Rocha (PSDB), pagou R$ 1,7 milhão para comprar o imóvel. A decisão causou polêmica e gerou críticas. Somando a despesas com a reforma e adaptação, o investimento vai ultrapassar a casa dos R$ 11,6 milhões. O prazo previsto para a conclusão dos trabalhos era de um ano, ou seja, em fevereiro de 2014. 
 
Mas o custo não é a discussão da vez. No dia 27 de abril deste ano, Valéria Marson protocolou projeto denominando o prédio com o nome do Professor Michel Astun. Sete dias depois, no dia 4 de maio, Alexandre Ferreira também decidiu mandar projeto para a Câmara propondo que o prédio seja batizado como Professor Ivan Silva Cunha.
 
Como já havia um pedido anterior, o correto seria que prevalecesse a ordem de chegada, mas não é o que está acontecendo. Os dois projetos foram inseridos na pauta e serão votados pelos vereadores na sessão desta terça-feira, dia 2, o que deverá provocar mais constrangimentos do que felicidade aos familiares dos homenageados. 
 
Valéria Marson afirma que o desgaste poderia ter sido evitado. “Não precisava ter disputa, mas quem criou isto foi o prefeito. Eu pesquisei e vi que o prédio não tinha nome, por isso apresentei o projeto. Quando o prefeito ficou sabendo, ele correu e apresentou outra denominação”. A vereadora não tem dúvidas de que está sendo vítima de uma ação orquestrada pelos aliados do prefeito. “Quem protocolou primeiro deveria ter o privilégio, mas o prefeito enfia goela abaixo e faz tudo mundo votar. Isto não é justo. A perseguição política que está em cima de mim é uma coisa astronômica”.
 
Valéria afirma ainda que o presidente da Câmara, Marco Garcia, havia se comprometido a conversar com o prefeito para que retirasse o projeto dele. “Ele disse que eu estava correta, mas colocou o projeto do prefeito que denomina Ivan Cunha na ordem do dia de terça-feira também”, disse a vereadora.
 
Marco Garcia foi procurado pelo Comércio neste sábado para comentar o caso, mas seu celular estava desligado. 
 
A reportagem tentou ainda contato com o prefeito Alexandre Ferreira, mas seu telefone também estava desligado ontem. Seu assessor legislativo, Edvaldo Costa, contrariando o que está no sistema oficial da Câmara Municipal, afirma que quem chegou primeiro foi o prefeito e a vereadora está tentando impedir que o projeto de Alexandre seja aceito. “O prefeito foi procurado pela família do senhor Ivan Cunha e não tinha como saber que o projeto já havia sido solicitado na Câmara (...) Nós não temos bola de cristal para saber o que se passa lá. São poderes distintos e a Valéria sofre de síndrome de perseguição”, disse Edvaldo, aparentemente ignorando que no site Câmara, o SGL (Sistema de Gerenciamento Legislativo) permite consultar todos os projetos protocolados, inclusive a data em que foram entregues à Câmara. No caso, o sistema registra o protocolo feito pela vereadora Valéria Marson com data anterior ao do prefeito.
 
Edvaldo afirma ainda que um dia depois que ele protocolou, a Prefeitura recebeu um documento com o pedido da vereadora. “Fizemos o projeto antes do cadastro que Valéria solicitou na Prefeitura”, disse. 
 
Viaduto
Não é a primeira vez que uma situação embaraçosa como esta acontece por questões políticas. Em 2012, depois de seis meses e três adiamentos, os vereadores aprovaram projeto apresentado pelo então prefeito e batizaram o viaduto da Major Nicácio de “Dona Quita”, mãe de Sidnei Rocha. Graciela Ambrósio (PP) apresentou um substitutivo propondo o nome de Wagner Garcia, mas obteve apenas três votos favoráveis.
 
Então líder do prefeito na Câmara, Jépy Pereira (PSDB) disse na oportunidade que os vereadores fizeram justiça ao aprovar o projeto que deu entrada primeiro. “Na história da Câmara, nunca havia acontecido de um vereador apresentar substitutivo em projeto de homenagem a alguma pessoa. Por questão de ética e respeito aos mortos, não se faz isto”.

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