Vão-se as sombras, nasce o dia
e só fica o orvalho nos jardins.
E a menina, na varanda,
vai descuidada
buscar ouro no pote do arco-íris,
que escondido se faz lá no quintal dos pomares.
Paisagem vem relembrar
os velhos ares da infância,
que distância!
Fantasia desfeita!
Nunca mais a menina voltou aos seus quintais
pois, já moça, procura outros ais!
Quebra-quebra, rola-rola,
faz de conta aqui tem seu lugar,
que a tristeza foi embora.
Vem, já que é hora de brincar de herói,
pega-pega,
uma tarde inteira pra sonhar.
Super-homem é banguela...
Vem, antes que a noite se mostre adulta,
e a conduta do menino, já moço, há de mudar,
e os seus olhos parecem então falar:
- já não tenho mais jeito pra brincar!
E se um errante caminho incerto
leva à solidão,
faz também surgir um novo amor!
Vem um tempo que se apressa
em levar a menina dos jardins
aos caminhos e aos sonhos
do super-homem que hoje, moço,
confessa descuidado
o amor que nasceu no coração
desses jovens namorados.
Vão relembrar os velhos sonhos de infância...
Arco-íris, cujo pote de ouro se desfez,
faz de conta perdeu a sua vez
pro amor que agora então se fez.
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