Após um atraso por conta de problemas na escolta dos presos na Operação Lavoura Limpa, a audiência com o relato de testemunhas e dos envolvidos no caso registrou um novo desfecho na tarde dessa sexta-feira. Após o depoimento de 12 dos 31 réus que seriam ouvidos ontem, o Ministério Público entendeu que três dos que tiveram sua prisão decretada recentemente deveriam ser soltos. O juiz Wagner Carvalho Lima autorizou e esses acusados puderam ir direto para casa.
Entre eles, estavam os réus Ataíde Bevilacqua e Diego Cristian Silva Freitas, que até quinta-feira estavam foragidos da Justiça. Outros dois acusados tiveram a liberdade defendida pelo Ministério Público. Porém, como quem determinou a prisão dos dois foi o desembargador Edison Brandão, do Tribunal de Justiça, o juiz Wagner Carvalho Lima não os libertou. Com isso, o MP deverá, na próxima semana, ingressar com um pedido de soltura.
Um dos depoimentos mais aguardados aconteceu ontem: o do comerciante Eliezer Reis da Silva, o “Russo”. Apontado como líder da quadrilha, ele negou qualquer tipo de relação com o caso e iniciou um bate-boca com os promotores ao afirmar que a investigação estava errada. “Houve uma falha na investigação. Foi equivocada”, disse. Um dos promotores rebateu. “O senhor não está aqui para dar opiniões sobre a investigação, e sim, para responder às perguntas.”
O comerciante chegou a chorar e agradecer. Segundo ele, o fato teria reaproximado sua família, que estaria muito “desunida”.
Outro depoimento chamou atenção. “Ratifico tudo que já falei ao Ministério Público.” Esta foi a única frase proferida por Adilson Molina. Ele fez um acordo de delação premiada com o MP, denunciando o esquema da quadrilha e a relação com “Russo”.
Segundo o advogado Ciro Fernandes Sanches, o saldo atual da Operação Lavoura Limpa, feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo 3º Distrito Policial, conta com nove presos e dois foragidos. Sanches informou que os carros, motos e o jet-ski apreendidos durante a operação ainda não foram liberados. “Embora o juiz Wagner tenha concedido esta devolução, os veículos permanecem no pátio da cadeia pública. Esperamos que sejam liberados logo”, disse.
A oitiva dos réus que ainda não foram ouvidos está marcada para o dia 3 de julho, às 9 horas, no Fórum de Franca.
O caso
Em dezembro do ano passado, policiais civis e promotores do Gaeco deflagraram a operação e prenderam pessoas acusadas de integrarem uma quadrilha especializada em falsificar agrotóxicos. A acusação afirma que os integrantes se organizaram para a produção, falsificação, rotulagem, embalagem, distribuição e venda de agrotóxicos falsificados. Ao longo das investigações, foram feitas diversas apreensões de defensivos agrícolas falsificados, avaliados em pelo menos R$ 6 milhões.
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