Doçura


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Vivemos a pressa do modernismo ambicioso e consumista e nos esquecemos de relacionar com doçura mesmo no estreito espaço das nossas afeições. 
 
Ainda não aprendemos com os guias da humanidade a postura fraterna que resulta na aprazibilidade interpessoal. 
 
Da minha infância aos nossos dias, verifica-se defasagem nas boas maneiras a ponto de pouco se ouvirem expressões mágicas que atapetam caminhos, como ‘por gentileza’, por favor’, ‘obrigado’, ‘posso ajudar?’. 
 
Certa feita, um dos maiores cristãos de nossos dias, o inesquecível Chico Xavier, a propósito da desejada delicadeza nas relações humanas, sem que a levasse a ser confundida com fraqueza, assim como franqueza não se confundisse com rudeza, utilizou-se de sábia comparação: ‘a planta precisa de água, mas não de água quente.’ 
 
Diferentemente de Chico, fazemos desastroso o nosso desprezo ao espírito de cristandade e o de nos armarmos contra nosso interlocutor já na expectativa de sua reação desfavorável. 
 
Inobstante seu espírito revolucionário, disse Che Guevara, ícone de muitas gerações: ‘É preciso endurecer, porém, sem perder a ternura.’ E, com mais força, dissera o Rabi da Galileia: ‘Bem-aventurados os mansos e pacíficos.’ 
 
Esse assunto se faz oportuno ante as judiciosas observações da psicóloga Rosely Sayão, no caderno ‘Ribeirão’, da Folha de S. Paulo de 17 de fevereiro deste ano, abordando a questão da doçura nos relacionamentos interpessoais, enfatizando sejam no trabalho, no trânsito, na escola, no lazer e, especialmente, no lar. Lembra a colunista que está faltando a doçura que enriquece e torna produtivos os relacionamentos. 
 
Na resposta à pergunta 886 de O Livro dos Espíritos, os mentores respondem que a caridade, segundo Jesus, é benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão das ofensas, e não olvidemos que doçura é a mais legítima expressão da indulgência.
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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