Participação política nula


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O brasileiro não mostra grande interesse em participar das discussões que definem o futuro do País. E muito menos busca acompanhar de perto o trabalho dos administradores e dos legisladores que receberam seus votos. Aliás, o brasileiro vê a eleição como uma chata obrigação da qual a maioria corre para se livrar logo de manhã para desfrutar o resto do feriado. Não se ilustra, não defende suas posições e deixa tudo correr, sem preocupações. Quando se vê afetado por decisões tomadas nos gabinetes de Brasília, até que protesta. Mas logo depois se encolhe e retoma seu cotidiano, mesmo que nada tenha mudado. Os brasileiros -- pelo menos em sua maioria -- são omissos politicamente, uma péssima atitude para quem deseja ver o País retomar os trilhos do crescimento e do desenvolvimento.
 
É necessário que esta visão política seja modificada. Faltam participação, empenho e interesse de todos para que o Brasil assuma um protagonismo que lhe é reservado e nunca assumido, em termos globais. Não se vêem movimentações no sentido de pressionar, buscar esclarecimentos ou exigir que os entes públicos tratem o dinheiro dos impostos, que saem dos nossos bolsos, com mais responsabilidade. Impedir que os administradores, que acreditam ter recebido um cheque em branco ao serem eleitos, usem os cofres públicos como se fossem privados. E é isto o que faz o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que gasta um dinheirão com propaganda ao mesmo tempo em que alega não ter recursos para aumentar o cartão alimentação dos servidores municipais ou reforçar as equipes de atendimento na Saúde.
 
Mesmo diante disso (e de outros descalabros da atual administração municipal), vê-se que a população francana, embora se manifeste em redes sociais e no Portal GCN, na hora de mostrar contundência em seus protestos, se omite. Dificilmente vê-se uma cobrança mais direta na Câmara e no Paço Municipal. Assim, o prefeito dá mostras de que não tem medo da reação popular. Ele troca apoios por cargos na administração (como afirma o vereador afastado e seu líder na Câmara, Luiz Vergara, do PSB), tem a maioria dos integrantes do Legislativo na sua base, não se sabe a qual preço, e agora tenta concluir três creches (motivo de investigação judicial) a um custo astronômico, mais de R$ 900 mil acima do preço inicial. Não encontra qualquer resistência, a não ser da parte de poucos eleitores e críticos.
 
Nenhum empresário de sucesso se permite gastar mais do que lucra. Do contrário, torna-se inadimplente e entra num buraco sem fundo que sinaliza a bancarrota. Um prefeito precisa encarar a administração pública com racionalidade, não permitindo extravagâncias ou gastos supérfluos. Ou seja, precisa encarar o orçamento como se fosse o da casa de seus eleitores: gastar com parcimônia, cortando supérfluos quando o dinheiro não permite. Sem ter quem o confronte, exigindo sensatez e parcimônia, o administrador público, como Alexandre, continuará fazendo o que lhe der na telha sem levar em consideração as necessidades de seu povo. Está em nossas mãos a possibilidade de mudar tudo isso, nos interessando diariamente pelas ações políticas que afetam nossas vidas.

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