A criatividade é comumente associada às grandes ideias e à inovação. Imagina-se que tais grandes ideias surjam a partir de fontes inexplicáveis de inspiração, em que os detentores da criatividade meramente expressam sua genialidade no momento em que ela for necessária, recebendo todo o crédito pelo brilhantismo de sua capacidade de criar algo novo do nada.
Poucas crenças são mais nocivas ao desenvolvimento de pessoas e da sociedade do que essa. A ideia de que a criatividade é para poucos e de que, provavelmente, você não é um desses poucos, arranca, pela raiz, a maior parte das grandes ideias que poderiam surgir de pessoas das quais, segundo essa crença, não se deve esperar nada.
Acontece que a criatividade precisa de uma matéria-prima, sem a qual ela não existe: o conhecimento. Quanto mais amplo e diverso for o conhecimento de alguém, maior será seu potencial para a criatividade. Isso se deve ao fato de que as grandes ideias vêm da combinação de ideias de diferentes indústrias, culturas, campos de atuação e disciplinas.
Vejamos o exemplo de uma das invenções mais importantes da história: a prensa de Gutenberg, que abriu caminho para a produção massiva de livros, por volta de 1450. Gutenberg gostava muito de livros. Seu pai trabalhava na casa da moeda, o que permitiu que ele aprendesse a lidar com metais. Também era familiarizado com o processo de fabricação de vinho.
Com esse conhecimento diverso e não relacionado, Gutenberg criou os tipos móveisreutilizáveis, e adaptou prensa usada para espremer suco das uvas para inventar a prensa de tipos móveis. É grande exemplo de criatividade em ação, do tipo de criatividade que deveria inspirar-nos a buscar e valorizar o conhecimento, que, por sua vez, nos dá confiança necessária para acreditar que somos capazes de ter ideias incríveis.
Marcos Mayer
Consultor em criatividade e inovação, publicitário, palestrante
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