Nos últimos tempos, a vida brasileira foi tomada por uma série de notícias protagonizada pela corrupção. Foi o mensalão, anos atrás, passando por políticos sendo flagrados com dólares nas cuecas, doleiros entregando esquemas de pagamento de propinas e lavagem de dinheiro, culminando com a Operação Lava Jato, que descobriu uma ação criminosa que transformou nossa maior estatal, a Petrobras, em um antro de corrupção. Partidos políticos e seus filiados superfaturaram obras e desviaram verbas, o que corroeu os cofres da petrolífera, reduzindo o seu valor de mercado. Mas ainda há outros malfeitos que vêm sendo descobertos a cada dia, deixando estarrecidos os cidadãos de bem, ciosos de seus deveres e obrigações.
A última delas diz respeito ao ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), José Maria Marin, preso na Suíça por suspeita de envolvimento num amplo esquema de corrupção e pagamento de propinas ao lado de outros dirigentes de futebol da África, Américas e Oriente Médio. Outro brasileiro também está preso, só que nos Estados Unidos: José Hawilla, ex-repórter de TV que fez fortuna com um negócios esportivos e pretendeu implantar uma rede de jornais e emissoras de TV no Interior de São Paulo. Tornou-se um dos maiores empresários do futebol brasileiro, ampliando sua área de atuação para a negociação e transmissão de grandes eventos esportivos. Só ele, que continua retido nos EUA, já se comprometeu a devolver milhões de reais que havia lucrado com o esquema.
São fatos que envergonham aqueles que trabalham, pagam seus impostos e buscam viver dentro da lei. Mas não surpreendem muitos brasileiros, acostumados a uma cultura em que a corrupção já está enraizada, originada em pequenos atos do dia a dia, onde se considera normal “molhar a mão” de alguém para se conseguir vantagem, desde uma “aliviada” na multa ou então uma melhor localização na fila. O brasileiro parece ter se habituado a ‘levar vantagem em tudo’ sem perceber que esta pequena ação cotidiana também o torna corruptor. Muitos já foram presos por isso, ao encontrarem a sua frente agentes públicos menos afeitos à propina e que preferem agir dentro da lei. Questão de consciência. Mas ainda há os que aceitam e permitem que este verdadeiro câncer de nossa sociedade prospere e passe do “dinheiro para a cervejinha”, aos milhões de dólares. Enquanto não nos indignarmos contra aqueles que buscam vantagens em todos os momentos não seremos capazes de uma mobilização que consiga extirpar de nossa sociedade o que existe de mais prejudicial, a corrupção que envolve entes públicos, políticos e espertalhões, à custa do suor de toda uma Nação. É a mesma corrupção, que vem dos tempos das capitanias hereditárias, quando donatários obtinham grandes vantagens especulando no meio de campo entre a Coroa e a Colônia. Ela está entranhada em nosso cotidiano porque fez parte das nossas origens como nação, infelizmente. Por isso cabe especialmente aos cidadãos de bem,aos que ainda acreditam no valor da honestidade para a construção de uma pátria sólida, não tolerar o roubo, de galinha ou bilionário, porque é tudo uma questão de princípios.
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