A crise chegou


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Inegavelmente o povo brasileiro, nesses últimos doze anos, experimentou um período de otimismo e de calmaria econômica, com nítidos e positivos reflexos nos indicadores sociais. O real forte, a inflação sob controle e principalmente o resgate de milhões de brasileiros que viviam na marginalidade econômica, possibilitaram ao conjunto da sociedade uma qualidade de vida extraordinariamente boa, especialmente se comparado com o que se tinha antes.
 
O brasileiro, notadamente da classe média, com a estabilidade econômica e com o real valorizado frente ao dólar, passou a consumir produtos importados de países preocupados com a qualidade e com inovações tecnológicas. Consumiu e gostou! Mas, como diz o dito popular, “o bem e o bom, infelizmente, não duram eternamente”. Assim, há claros sinais de que o país entrou em um ciclo econômico e social novo, de dificuldades em vários setores, com a volta da inflação e do mais perverso dos indicadores de uma crise: o aumento do desemprego.
 
Segundo especialistas, o momento agora é favorável ao comprador, pois os preços, em vários setores da economia, já apresentam curvas descendentes, em especial no mercado de veículos e de imóveis. As concessionárias de veículos, com raras exceções, já não sabem mais o que fazer para sensibilizar o cliente a trocar o carro, e as incorporadoras de imóveis concedem generosos descontos e alongam prazos no afã de desencalhar unidades condominiais.
 
O interessante é que essa situação no Brasil ocorre, exatamente, em um momento de recuperação econômica de alguns países da Europa e principalmente dos Estados Unidos, nosso tradicional parceiro. Mas os otimistas profetizam que a esperança de dias melhores não pode ficar morta. Afinal de contas, “Deus é brasileiro”.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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