Desvios de conduta


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Nossos políticos não aprendem e não se emendam. Pior: não querem mudar. Os presidentes da Câmara Federal deputado Eduardo Cunha e do Senado, Renan Calheiros, assumem práticas conflitantes com posturas que deveriam ter como máximos mandatários do poder Legislativo. Valem-se de propostas, projetos e Medidas Provisórias destinadas a recompor a situação de governabilidade para alimentar vaidades pessoais. Quem acompanha o cotidiano do Congresso percebe o inescrupuloso comportamento.
 
Não estão pensando no Brasil; não estão preocupados com o que acontece no país, são alheios aos problemas nacionais. Deveriam demonstrar boa vontade, convergindo para busca de soluções às questões que travam o desenvolvimento econômico e social. A terceirização, o ajuste fiscal, o contingenciamento orçamentário e outras iniciativas do governo para contornar a difícil situação, acabam utilizadas por eles como instrumentos na luta do ego político e enfrentamento ao governo, tratando-o como refém para pressões descabidas e com isso tirar proveito próprio. Usam as casas legislativas com esse objetivo condenável envolvendo-se em disputa, não de partidos porque ambos são do PMDB, porém para insana afirmação de liderança maior do que realmente possuem, pois sequer ostentam biografia política acima de suspeitas.
 
A queda de braço entre políticos é prejudicial à sociedade, e somente interessa a quem quer a instabilidade e a fragilização do sistema no intuito de auferir vantagens. Todavia, o povo entende tais atitudes e práticas. A população sabe avaliar e certamente cobrará a falta de interesse pelo bem comum. E bom será que o povo brasileiro manifeste sua repulsa de quantas maneiras puder, principalmente pelo voto, arma cidadã própria da legítima democracia.
 
Luiz Carlos Borges da Silveira
Empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal

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