Não pode valer a pena!


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Hoje em dia o desvio de dinheiro público é um crime muito difícil de ser investigado e punido. Isso porque o crime de corrupção é praticado entre quatro paredes e existe um código de silêncio entre os infratores. 
 
Além disso, em muitos dos casos em que o criminoso do colarinho branco é processado e condenado à prisão, a pena é substituída por prestação de serviços e multa, de modo que a pessoa não passa nem um dia na cadeia. Para piorar, muitos corruptos ficam totalmente livres depois de serem perdoados por decreto presidencial. No país da impunidade, vale a pena ser corrupto.
 
A corrupção rouba a escola, a comida e o remédio de milhões brasileiros. O desvio de altas quantias de dinheiro público é um crime semelhante ao latrocínio — roubo seguido de assassinato —, uma vez que causa a morte de milhares de pessoas que não têm acesso a serviços públicos essenciais.
 
Passou da hora de punir os crimes de corrupção de forma mais dura, porque eles atentam contra direitos fundamentais das pessoas.
 
Para mudar essa realidade, o MPF (Ministério Público Federal) apresentou ao Congresso Nacional uma medida para que a corrupção seja punida com penas mais altas e para que o extravio de grandes valores seja considerado um crime hediondo. 
 
Os crimes hediondos são aqueles que causam maior dano social e, por isso, são castigados mais rigorosamente.
 
De acordo com a proposta do MPF, a pessoa que desviar mais de 100 salários mínimos será punida com pelo menos sete anos de prisão, iniciará a pena na cadeia e não poderá ganhar o perdão presidencial como presente de Natal. 
 
Se o criminoso for surpreendido desviando mais de mil salários mínimos, a pena mínima passa a ser de dez anos de prisão. Já se o valor extraviado for de dez mil salários mínimos ou mais, a pena máxima poderá chegar a 25 anos de prisão, aproximando-se da pena do homicídio. 
 
O crime de corrupção não pode valer a pena!
 
Wesley Miranda Alves
Procurador da República em Franca

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