Mais uma ‘facada’


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O brasileiro já esperava ter que pagar a conta do descontrole da nossa economia. Primeiro, vieram as taxas que elevaram o preço dos combustíveis, o reajuste na conta de energia elétrica e as medidas de ajuste fiscal restringindo a concessão de benefícios trabalhistas, como a pensão por morte e o seguro desemprego. Mesmo assim, não foi possível conter o índice inflacionário, que pode fechar o ano próximo de 10%, com retração econômica — especialistas apontam para um PIB (Produto Interno Bruto) negativo, em torno de -1,5%. Na sexta-feira, com um atraso de quase três meses, o governo federal anunciou o corte de gastos previstos no Orçamento deste ano próximo de R$ 70 bilhões. Não está descartado ainda um novo aumento de impostos para que o Tesouro reequilibre as suas contas, descontroladas nos últimos cinco anos.
 
O corte promovido chegará a R$ 69,9 bilhões e deve encorpar o esforço fiscal feito pelo governo para alcançar a meta de superávit primário (a economia do governo para o pagamento de juros da dívida) de 1,1% do PIB. Nenhum ministério foi poupado, inclusive os que precisam de mais recursos, como os da Saúde e o da Educação, dois setores caros à maioria dos brasileiros que dependem dos serviços públicos. O contingenciamento atinge ainda R$ 25,7 bilhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Já as emendas parlamentares perderão R$ 21,4 bilhões. Nem o Minha Casa Minha Vida, uma das bandeiras da campanha que reelegeu a presidente Dilma Rousseff (PT) foi poupado: do orçamento de R$ 19,3 bilhões previstos serão autorizados apenas R$ 13 bilhões.
 
Até agora, apenas ao chamado cidadão comum, que contribui com impostos e taxas até quando compra um simples pãozinho, é exigido um esforço para o pagamento da conta que ele não criou. O governo federal ainda não fez a sua parte, cortando na própria carne: não houve qualquer iniciativa para se reduzirem as despesas correntes, com o pagamento de vencimentos e benefícios da máquina administrativa, com a redução dos cargos comissionados (preenchidos por indicação político-partidária) e a decretação de austeridade nos gastos dos entes públicos eleitos (deputados e senadores). A conta explode apenas no bolso daqueles que, ludibriados pela propaganda eleitoral, dão seu voto aos que agora se eximem da responsabilidade na retração da economia brasileira.
 
Para dar apenas um exemplo, não se pode esquecer que ao mesmo tempo em que o Planalto exige o sacrifício dos contribuintes, há pouco o Congresso aprovou e a presidente Dilma sancionou uma emenda que triplica a verba destinada aos partidos políticos, o chamado Fundo Partidário, que passou de R$ 289,5 milhões para R$ 867 milhões. Para muitos, trata-se de mais uma demonstração de desfaçatez da classe política para com todos os brasileiros. Não se pode mais exigir daqueles que já fazem muito, o que não é seguido pelos que ainda enfrentam a suspeição de terem se beneficiado com desvios de dinheiro dos cofres públicos para os próprios bolsos. O sacrifício tem que ser de todos. Caso contrário, o brasileiro continuará sendo tratado como palhaço.

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