À primeira vista, o Residencial Ana Dorothéa lembra um filme de faroeste. A terra vermelha nos extensos terrenos onde poderiam existir praças ou parques para lazer suja as calçadas e as ruas pouco povoadas. A impressão que se passa é de um bairro que está perecendo no tempo. Os moradores se queixam da falta de espaços para diversão, de atendimento médico da Rede Pública no próprio bairro e de problemas com o transporte público.
O programa Hora da Verdade Itinerante, apresentado na rádio Difusora AM por Leandro Vaz, com comentários de Corrêa Neves Jr., esteve no Residencial Ana Dorothéa neste mês e se deparou com esses problemas. Os moradores reclamaram. “Quando chove, o barro toma conta das ruas, que foram asfaltadas há apenas seis anos. Quando o tempo está seco, a poeira predomina porque não tem nem grama nos espaços para conter um pouco o pó. Se a gente não tivesse plantado árvores por conta, não teria nenhuma no bairro”. Assim Valdirene Sousa Pinto, moradora do Ana Dorothéa, definiu a situação com que convive.
Há nove anos, a dona de casa se mudou para o bairro e também se queixa de ônibus insuficientes naquela região da cidade. “A São José deveria destinar mais linhas de ônibus para nós. Domingo, por exemplo, o ônibus só passa duas vezes. Fica complicado porque não passa transporte sempre e às vezes preciso pagar táxi para me deslocar a tempo”, disse Valdirene.
O casal de comerciantes Valdinei e Regina Rodrigues reside no bairro há onze anos e destaca o que considera os principais problemas do local: sujeira que os próprios moradores espalham no canteiro em frente à sua loja e a falta de uma área de lazer para a família. “As pessoas jogam lixo nos espaços que deveriam ser praças. Em parte, a culpa é da população, que insiste em poluir. Mas acho que, se existisse uma praça, a sujeira seria menor”, disse Regina. Valdinei ressalta o que para ela é a maior falha no Ana Dorothéa: Falta de uma UBS (Unidade Básica de Saúde). “O fato de não ter nenhuma unidade piora a situação dos moradores, que precisam se deslocar para outros bairros, como o Brasilândia. O residencial cresceu, mas a estrutura disponível não acompanhou. É inaceitável”, disse o lojista.
Providências
O Comércio entrou em contato via email e telefone, por pelo menos cinco dias, com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura e apontou as reclamações dos moradores. Na última sexta-feira, nova cobrança pelas respostas foi feita por telefone e email, mas até o fechamento desta edição, nenhum retorno foi dado.
A São José, responsável pelo transporte público da cidade, também foi acionada. Por meio de seu setor administrativo, informou que registrou a reclamação dos moradores à reportagem e que seria necessário acionar a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) para tratar da implantação de novas linhas de ônibus caso o bairro precise. O contato foi feito duas vezes, mas também não houve retorno.
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