Esta semana, flagrei-me pensando sobre o descaramento com que os personagens do mundo político brasileiro tem exercitado suas funções. Parece que resta um fiapo de vergonha na cara só de alguns. Penso que a maioria desses personagens não têm mais qualquer dúvidas sobre estarem acima das leis, do bem e do mal, de mínimo respeito a quem os elegeu ou seja lá a quem for. Eu já disse aqui, nestes singelos textos de sábado, que a culpa é nossa. Repito a razão principal: vamos às urnas a cada dois anos e não escolhemos com a razão, e sim, e apenas, para ficar livre do ‘saco que é o voto obrigatório e aproveitar o resto do domingo porque amanhã é segunda e a gente que trabalhar’. Repito também as razões que a maioria considera secundária: ‘são todos farinha do mesmo saco, ninguém vai se preocupar com a gente, política é uma merda e, f...-se eles todos’.
Eles, os votados, permanecem felizes pelo novo mandato sem encheção de saco que lhes proporcionamos e se despedem para voltar só na próxima eleição, quando se lembrarão que existimos. Nós, passada a urna, voltamos à nossa triste de gerenciar as sequelas de nossas tristes decisões: preços aumentando, serviços essenciais sem eira nem beira e gosto amargo de nos sabermos um nada, meras ‘massas de manobra’. Aí, arde a consciência. A culpa é, mesmo, nossa, como diz aquele articulista chato dos sábados, no Comércio da Franca.
Prometemos melhorar, prometemos que vamos tirar de onde os colocamos aqueles ‘que nos enganaram’, mas, de novo, tempo passado e memória inexistente, voltamos a admirar quem ‘se dá bem’, ‘que não é burro como a gente’. Convencemo-nos de novo. Tiririca estava e estará sempre certo: ‘pior que tá, não fica’.
É interessante o que se depreende da busca de informações, como diria um leitor que me cobrou posicionamento político, ano passado, ‘sem ter lado’. Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara Federal e do Senado, estreitam laços para combinar estratégias de como parar Dilma e o PT,e tudo se ajeitar para eles e o PMDB. Lula e caciques do núcleo duro do PT respondem ‘abrindo mão’ de Dilma. É simples: para salvar o projeto de poder de 40 anos que o PT pretende para o Brasil, e só afirmar que ‘Dilma não deu certo, está perdida e isso se demonstrou quando ela entregou a Economia a Levy e a política a Temer.’ Como o povo não está nem aí — lembrem-se: Tiririca está certo —, a sequência do discurso também fica fácil: ‘Lula reconduzirá o país ao paraíso para continuar privilegiando o povo que precisa de carinho. Lula é que sabe fazer isso’. (Lembra Franca, não lembra? Já há, por aí, um ‘volta Sidnei pelo amor de Deus!’. Será interessante observar os desdobramentos destes imbróglios).
Dura realidade, mas temos que torcer para Levy acertar. A construção civil, um dos setores que mais oferece vagas de trabalho no Brasil despenca em queda livre. Preços de imóveis caem assustadoramente. O Secovi-SP diz que por causa da redução do teto para financiamentos, juros que subiram e restrições para financiar, ‘sequelas’ do ‘Plano Levy’, haverá grandes problemas. Caindo o preço dos imóveis, alugueres acompanham. Você que me lê, já olhou em volta? Parece que Franca inteira está à venda, ou à locação, mas negócios, ó!!!
Também temos que torcer para Temer politicar com habilidade. A razão, de novo, é fácil de explicar: a Constituição Federal diz que os poderes da República devem ser harmônicos. Em outras palavras, têm que conviver com respeito a limites bem definidos, mas... Trazendo à realidade, lembra o MMA muito em moda: num dos corners, está o Legislativo. No outro, o Executivo, ambos prontos a se estapearem. O juiz é o Judiciário, único poder a demonstrar alguma lucidez. Quem vencerá? Difícil saber. Talvez Moro e companhia ‘bem limitada’ tenham que cuidar da bússola por um tempo bem longo...
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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