Numa época onde uma vida saudável é apontada por especialistas como o caminho para os males do corpo, o crescimento da obesidade infantil no mundo todo tem se tornado um dos principais temas de discussão. Hoje, envolve inclusive a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, numa verdadeira cruzada contra o sobrepeso que vem atingindo crianças e adolescentes. A situação tem se agravado em países considerados sub ou desenvolvidos, onde o acesso à alimentação com muita gordura, massas e açúcares tornou-se fácil e rápido, chegando às populações menos favorecidas. Além disso, o sedentarismo é típico de uma geração onde a internet e os jogos eletrônicos deixam a garotada fechada em casa.
Dados do governo federal apontam que o percentual de crianças entre 5 e 9 anos de idade com excesso de peso chega a 33,5% no País. Já na adolescência, o quantitativo é de 20,5%. A questão tem sido discutida de forma intensa em diversos encontros promovidos por autoridades mundiais, como a OMS (Organização Mundial de Saúde). De acordo com os últimos relatórios do organismo, nos países ricos a meta será reduzir a nova geração que está acima do peso. A ideia é que seja discutida uma série de iniciativas para reverter essa tendência mundial. O excesso de peso e a obesidade são fatores de risco para doenças como diabetes, hipertensão e câncer.
A questão deve ser discutida com mais profundidade, quando se sabe do apelo que alimentos industrializados e refeições fast food têm junto a crianças e adolescentes. Estes são os grandes vilões do crescimento da obesidade entre os mais novos, mas não são os únicos. As autoridades médicas alertam para o valor nutricional dos alimentos que são servidos nas próprias escolas, como merenda, e nas cantinas destes estabelecimentos. Não há, pelo menos em larga escala, campanhas capazes de substituir estes alimentos, ricos em carboidratos, gorduras e açúcares, por outros mais saudáveis. Em muitas unidades escolares, macarrão e salsicha são repetidamente servidos aos estudantes a título de merenda, algumas vezes até no café da manhã. Já nas cantinas, salgadinhos industrializados se destacam ao lado de salgados fritos em óleo, consumidos com refrigerantes.
Muitas vezes fica mais fácil aos pais oferecer aos filhos lanches gordurosos e carregados de calorias. Mesmo que a alimentação saudável seja uma prática comum dentro de casa, fora dela as tentações são muitas. Deve-se tratar o problema na raiz, preocupando-se com as causas e não com as consequências. O costume deve vir de casa, estender-se para a escola. Além disso, não será através de uma lei que tudo será revertido. É necessária uma conscientização coletiva, mostrando-se o perigo que o sobrepeso representa, sobretudo para uma criança. Sem isso, nada será capaz de mudar este cenário preocupante, que está criando uma geração menos saudável, ao contrário do que pregam anúncios e programas de televisão. Uma vida saudável é o caminho. Mas a luta para alcançar padrões saudáveis é árdua e precisa ser enfrentada com determinação.
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