O Brasil continua batendo recordes em número de acidentes no trânsito. De acordo com informações do Ministério da Saúde, o País é o quinto no mundo em número de vítimas. A cada ano, cerca de 45 mil brasileiros perdem a vida em nossas ruas e estradas, número bastante superior ao registrado em conflitos armados espalhados pelo mundo, principalmente no Oriente Médio e alguns países da África. Neste sentido, um grande volume de recursos é destinado ao atendimento e tratamento das vítimas. É dinheiro que poderia estar sendo aplicado no SUS (Sistema Único de Saúde), possibilitando uma melhora sensível no serviço prestado à população. Mas, infelizmente, o número cresce e as vítimas de acidentes com motocicletas começam a preocupar as autoridades do setor.
Nos últimos seis anos, acidentes com motos foram responsáveis pelo crescimento de 115% das internações hospitalares no SUS. A violência envolvendo particularmente motociclistas está se tornando uma epidemia no País. Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que, em 2013, os acidentes com motos resultaram em 12.040 mortes, o que corresponde a 28% dos mortos no transporte terrestre. Nos últimos seis anos, as internações hospitalares no SUS envolvendo motociclistas tiveram um crescimento de 115% e o custo com o atendimento a esses pacientes de 170,8%.
Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério, o Brasil registrou 4.292 mortes de motociclistas em 2003, número 280% menor do que o registrado 10 anos depois (12.040). Parte do aumento de acidentes envolvendo motos se deve ao crescimento vertiginoso da frota no País. Entre 2003 e 2013, o número de motocicletas aumentou 247,1%, enquanto a população teve um crescimento de 11%.
De 2008 a 2013, o número de internações devido a acidentes de transporte terrestre aumentou 72,4%. Considerando apenas os acidentes envolvendo motociclistas, o índice chega a 115%. Em 2013, o SUS registrou 170.805 internações por acidentes de trânsito e R$ 231 milhões foram gastos no atendimento às vitimas. Desse total, 88.682 foram decorrentes de motos, o que gerou um custo ao SUS de R$ 114 milhões — crescimento de 170,8% em relação a 2008. Esse valor não inclui custos com reabilitação, medicação e o impacto em outras áreas da saúde.
Se somarmos aos demais acidentes de trânsito e suas consequências, principalmente no atendimento às vítimas, o valor aumenta muito mais. E a maior parte dos desastres — mesmo diante das condições de rodovias e ruas, além da insegurança dos veículos em circulação — ocorre por causa de imprudência, inabilidade, negligência e desatenção dos condutores de veículos automotivos. Uma pequena parcela se dá por causa de falha mecânica (e quando esta acontece, muitas vezes está ligada à manutenção deficiente do automóvel e da motocicleta). É uma situação que precisa encontrar uma solução, que forçosamente passa pela conscientização dos condutores que acabam transformando seus veículos numa poderosa e mortal arma.
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