A enxurrada de críticas vindas de todo o mundo parecem não abalar o juiz argentino Horacio Piombo. Em entrevista ao jornal La Nación, na última quarta-feira (20), ele afirmou que cumpriu com seu dever e não vai deixar o cargo.
Com o apoio do também juiz Ramón Sal Llargués, Piombo reduziu a pena de Mario Tolosa, acusado de estuprar um menino de apenas seis anos, baseando-se na alegação de que a vítima tem “orientação homossexual e está habituada” a sofrer abusos. O magistrado alegou que a criança, hoje com 11 anos, já sofria abusos do pai, que está preso, o que desqualificava o estupro posterior e o havia levado a uma mudança de hábitos: “Ele começou a se oferecer para as pessoas. Nós consideramos que esse fato foi o pontapé inicial de tudo. Esse caso foi um aproveitamento de uma situação que deveria ser punida sem o agravante”, ele afirmou ao jornal.
A absurda decisão, entretanto, causou alguns transtornos aos dois magistrados: o contrato de Piombo como professor da Universidad Mar Del Plata foi rescindido e estudantes da faculdade de La Plata pressionam pela saída dos dois da instituição, onde Piombo leciona Direito Internacional Privado e Llargués Direito Penal I. De acordo com informações do jornal Clarín, a Federação Universitária de Buenos Aires solicitou que eles sejam permanentemente afastados da Universidade de Buenos Aires.
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