Roubos a ônibus amedrontam funcionários e passageiros


| Tempo de leitura: 3 min
Ousadia dos ladrões: assaltos acontecem durante o dia e a noite, na periferia e na região central
Ousadia dos ladrões: assaltos acontecem durante o dia e a noite, na periferia e na região central
Os ônibus do transporte público municipal viraram alvo frequente da ação de bandidos. Somente nos últimos 50 dias, foram registrados 13 roubos em coletivos - cerca de dois por semana - pela Polícia Civil. Os constantes assaltos provocam medo e insegurança em cobradores, motoristas e usuários da Empresa São José.
 
Segundo o delegado Daniel Radaeli, da Polícia Civil de Franca, em maio e abril, foram 13 ocorrências do tipo. Ele diz que tem sido percebido um crescimento nessas ações. “As ocorrências estão espalhadas pela cidade, mas estamos trabalhando em parceria com a empresa para reverter essa situação”, afirmou.
 
De acordo a assessoria da Polícia Militar, na última semana, três pessoas foram presas em flagrante por tentativa de roubo a coletivos, sendo um deles detido no bairro Leporace, outro no Jardim Dermínio e o terceiro no Jardim Redentor.
 
Os casos mais recentes aconteceram nessa segunda-feira. Foram dois assaltos: um no Jardim Aviação e outro no Aeroporto I. Por volta das 20 horas, no Aviação, um homem de capacete em uma moto parou perto de um ônibus e entrou no veículo armado com uma pistola. Foram levados R$ 45. Depois, na madrugada, um homem aparentemente armado entrou em um coletivo que fazia itinerário pelo Aeroporto I e roubou R$ 140 do cobrador. 
 
Um outro ato criminoso que chamou a atenção aconteceu no dia 29 de abril, quando um assaltante jogou solvente no motorista e ameaçou atear fogo nele. Foram levados R$ 53, e o bandido fugiu em seguida.
 
No começo do mês, outra ação semelhante ocorreu no Tropical. Um menor de 16 anos apontou uma arma para o motorista e roubou R$ 126 do caixa do ônibus. Ele fugiu a pé, mas acabou detido pela Polícia Militar e levado para a Fundação Casa.
 
Essas ocorrências exemplificam a situação enfrentada por funcionários e passageiros recentemente. “Eu mesmo já sofri um assalto no começo de maio, na avenida Monteiro Lobato. Renderam eu e o cobrador com arma e levaram R$ 127”, disse um motorista de 57 anos, que pediu para não ser identificado por motivos de segurança. O motorista faz a linha Paineiras/Horto e diz que aconteceram pelo menos mais três assaltos nos últimos 15 dias nesse itinerário. 
 
“Saímos com dinheiro para voltar troco e fazer depósito, e esses criminosos levam tudo. É difícil ter que trabalhar assim, ficamos com medo”, disse um cobrador que também não quis ser ter seu nome divulgado.
 
Os funcionários afirmam que as ações criminosas não se restringem ao período da noite e acontecem em vias centrais e não apenas nos bairros, o que era mais comum.
 
A estratégia adotada pelos profissionais é não reagir e entregar o dinheiro, mesmo quando a arma parece ser falsa. Uma das alternativas para acabar com os roubos, apontadas pelos trabalhadores, é aumentar o uso do cartão em substituição ao dinheiro, mesmo considerando que uma troca integral é difícil. “Muita gente ainda usa dinheiro para pagar a passagem, o cartão melhora um pouco a segurança da gente”, afirmou outro cobrador, de 70 anos.
 
Para quem depende do transporte coletivo, o medo de presenciar um assalto é um receio constante. “Como trabalho de noite, fico com medo na hora de andar de ônibus. O que faço é rezar todo dia para nada de ruim acontecer”, revelou a enfermeira Elza Félix, 67.
 
Na opinião dos passageiros, manter a bolsa ou o celular nas mãos é sempre arriscado.
 
Orientações
A empresa São José tem demonstrado preocupação com os assaltos, tanto que um cartaz foi colocado no terminal da Estação orientando os cobradores. “Em face do aumento de assaltos, a empresa recomenda fazer depósito regularmente, evitando deixar valores maiores no caixa”, indica o aviso.
 
A direção da São José confirmou que houve um aumento no registro dessas ações criminosas neste ano, porém, não revelou estatísticas.
 
A Polícia Militar pede que atitudes suspeitas no interior dos ônibus ou nos pontos de embarque sejam denunciadas pelo telefone 190.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários