Fora de padrão


| Tempo de leitura: 2 min
Servi ao Exército Brasileiro em 1991. Fui soldado do 2º Batalhão de Polícia do Exército. Foi um ano interessante, em que fui obrigado a interromper os estudos — cursava o 3º colegial (ensino médio) — para ser preparado para defender o País, caso necessário. O Exército funciona baseado em dois alicerces muito importantes: hierarquia e disciplina. Isso faz sentido para uma organização militar. É necessário que seja assim.
 
Vou dar uma dica importante para quem vai servir ao Exército: seja um ‘moita’. Um moita, entre os militares, é aquele que não se destaca em nada. O moita não é notado por ninguém, e isso, no Exército, é uma coisa boa. Quando marchamos, dezenas e até mesmo centenas de soldados fazendo tremer o chão com a sola de seus coturnos, estamos fazendo ‘ordem unida’, que é o nome dado a esse tipo de exercício. Não se destacar na ordem unida, é essencial.
 
Quando um militar faz algo digno de elogio, seja exibir um uniforme perfeitamente engomado e passado ou acertar o alvo com perfeição no exercício de tiro, a expressão que se usa para elogiá-lo é: ‘Padrão, soldado. Parabéns’. Estar o mais próximo possível do padrão é o melhor que se pode fazer, dentro do Exército.
 
Só que a escola não é o Exército. E não deveria haver um padrão de performance e comportamento que seja a meta a ser atingida por todos. Se ensinamos aos alunos que o que eles precisam fazer é atingir a média em um teste padronizado, como podemos esperar que eles se sintam motivados?
 
Motivação depende de autonomia, controle e propósito. São estas características que fazem com que um ambiente seja favorável à expressão da criatividade, onde alunos encontram relevância no aprendizado e professores recebem suporte para serem inovadores. Infelizmente, ainda somos forçados a — desculpem o trocadilho — marchar na direção oposta.
 
Marcos Mayer
Consultor em criatividade e inovação, publicitário, palestrante

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários